Publicado por: alexpossato | Junho 29, 2009

Oficina Autoimagem e caminhos com constelação sistêmica

constelação familiar e estrutural sistêmica, meditação, arteterapia, consciência corporal e descontração, para você ser quem você realmente é e ser feliz assim...

constelação familiar e estrutural sistêmica, meditação, arteterapia, consciência corporal e descontração, para você ser quem você realmente é e ser feliz assim...

Querido amigo

Leveza, alívio, soluções sem nem perceber como, uma nova visão de si, da família e sentir-se parte de algo maior – estas são algumas sensações que talvez você tenha vivenciado após a constelação familiar sistêmica.

O que você acha de expandir estas sensações? Tudo começa em si mesmo: da forma como você se vê e como expressa isso ao mundo. E você é muito, muito mais do que está se vendo. Então, que tal encontrar a si mesmo, libertar-se de pensamentos e emoções que ainda influenciam a sua vida e perceber que em si, você já tem todas as habilidades para construir uma vida prazerosa, adequada ao seu jeito de ser e ao seu sistema familiar?

Imagine como será a sua vida quando você atrair para si relacionamentos baseados no crescimento mútuo e no compartilhar, e não mais nas dores do passado?

E a sua vida pessoal, seu trabalho? Como ficará no momento em que libertar-se das limitações e dos pensamentos de que “não sou bom o suficiente” e substituí-lo pela real sensação de que: estou no caminho, tenho prazer em caminhar, sei e domino o que faço e me divirto nesta jornada?

Talvez você tenha presenciado a constelação familiar como uma técnica terapêutica. Agora, apresentamos a Constelação Sistêmica como uma técnica que apresenta caminhos e soluções. E ainda trabalha bloqueios que tenham permanecido.

Na Oficina Autoimagem e Caminhos com Constelação Sistêmica (antigo Grupo de Trabalho e Estudo de Constelação Sistêmica em 12 Encontros),

Você receberá um verdadeiro e intenso presente, que mudará a sua forma de se ver (sua autoimagem), de perceber os outros, de conhecer seus pensamentos, emoções e acessar sua intuição, de agir diante das situações da vida e de determinar os próprios caminhos. Como? Veja abaixo:

1 – você faz uma constelação sua, e encontra soluções para um tema que mais lhe “pega”:

- pode ser questão familiar

- relacionamento afetivo

- caminho pessoal e sentido de vida

- caminho profissional

- questão financeira

- questão referente doença ou sintoma físico

- dúvidas a respeito de negociação de imóveis e objetos

- saber quem você é e qual a sua autoimagem

- outra qualquer que lhe esteja incomodando

2 – conhece as relações entre seu corpo, seus pensamentos e suas emoções, através de uma profunda, mas movimentada e divertida técnica de autoconhecimento corporal e arteterapia, aplicada em diversos momentos do encontro pela terapeuta corporal Silvana Parente Costa.

3 – pode discutir o seu desenvolvimento pessoal semana a semana, num grupo alegre, pequeno e amigo, acompanhado pessoalmente pela trainer e terapeuta Theresa Spyra, que realizará outras intervenções e dinâmicas, possibilitando o desbloqueio e descoberta de metas.

4 – conhece mais a fundo a teoria sistêmica, possibilitando olhar os seus relacionamentos familiares, pessoais, profissionais e afetivos sob um ângulo que evita “atritos emocionais” e possibilita melhor entendimento.

5 – descobre formas diferentes de meditar, entrando em contato “conscientemente” consigo mesmo, aprendendo a perceber um espaço “vazio” entre o que você pensa, sente e a “realidade”, que é muito diferente.

6 – descobre a sua autoimagem.  Vê em si mesmo a capacidade de intuir seu caminho, tomar suas decisões com acertividade e trazer a tona seus recursos que possibilitam você agir com precisão e equilíbrio.

Depoimentos

“O ponto maior do curso foi discernimento. Andei analisando de novo sobre o desejo, e eu senti que estava indo contra o desejo, ao ir contra o problema. Então, em vez de ir para frente, eu estava indo para trás. Aprendi que, ao invés de ir contra o problema, é melhor ir a favor do desejo. Isso faz diferença no dia-a-dia.” E. T.  – empresário

“Olhar para si mesmo: eu sempre vi isso de uma forma de se analisar com a cabeça… Era o que eu fazia, mas isso nunca me ajudou, nunca me acrescentou em nada. Neste trabalho, eu não sabia muito bem como fazer para que tivesse compreensão das minhas questões, das minhas dúvidas, mas a cada encontro, de repente, eu não ficava racionalizando as respostas, mas algo que alguém falava, ou a posição que  alguém colocava dentro do grupo… batia! Poxa, é isso! Vinham respostas sem pensar! Era somente sentir. E isso, a cada encontro, foi me ajudando em muitas e muitas coisas. Então agradeço muito a todos, quero continuar aprendendo, compreendendo mais esta forma intuitiva de respostas. Muito obrigada. Obrigada mesmo a vocês, porque foi maravilhoso.” Cristina Pereira Campos – assessora diplomática

“Acho que cada dia, cada trabalho, cada encontro, veio crescendo, e veio mostrar que as coisas são simples, e a gente às vezes é que acaba complicando. O grupo, nós já trocamos telefone, a gente sente que tem necessidade um do outro, sem julgar, sem nada, todos no mesmo barco.” Mirna Bolanho –terapeuta

“Todo mundo se sentiu tão bem, e eu lembro que, quando a gente começou, todos falaram: queria achar um caminho, queria me doar. Acho que a gente se sentiu bem porque cada um doou muito aqui, entrou muito a alegria, o sorriso, o brilho no olhar. A amizade, o carinho com que vocês acolhem faz com isso dê muito mais retorno ainda das pessoas, porque as pessoas não sentem que isto está sendo feito porque “eu paguei, estou aqui, exijo isso…”. É uma coisa tão prazerosa para vocês que transcende isso. E pra gente também é um prazer. Sinto que vocês têm amor naquilo que vocês fazem. Eu sinto isso: esta preocupação, esta dedicação de vocês, e isso foi aberto pra todo mundo do grupo que também se dedicou desta forma. Não tem como não falar que as pessoas aqui não ficaram mais ricas, mais felizes, mais leves. A gente compartilhou muitas coisas… Ficamos muito mais leves. De cada um levo um pedacinho comigo, esperando ter contribuído com alguma coisa para cada um. Esta troca, esta doação que a gente tem na constelação, não tem palavras. A gente sente mesmo.” Valéria Reis Fagiani – psicóloga

Gostou? Bem, então é só inscrever! O investimento deste encontro é um valor realmente especial, e temos pouquíssimas vagas, para este trabalho que já se iniciará na próxima terça-feira, às 19h30. Serão 10 terças-feiras inesquecíveis e mais dois sábados! Envie um e-mail e reserve o seu lugar! Ficaremos muito contentes em poder compartilhar com você este trabalho preparado com carinho e acompanhar as descobertas, semana a semana, que você experimentará.

Abraços e até mais!

Alex Possato e Theresa Spyra

Nokomando – o site da sua consciência pessoal e profissional

Despertar para a alegria e simplicidade de liderar a si, as relações, a profissão e a vida

Constelação sistêmica e imagem pessoal: formação, coaching, terapia e workshops

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Publicado por: alexpossato | Junho 25, 2009

Sistema familiar… o amor que transcende o entendimento

Eu diria que a maior parte dos clientes que passam pelo processo da constelação sistêmica, sai aliviada. Sabe que algo deu certo, mesmo sem poder verbalizar exatamente o que foi. E como Theresa Spyra fala: deixa fazer o efeito… no seu tempo… sem tentar racionalizar.

A constelação sistêmica é um método que age na mente inconsciente, a parte da mente onde estão informações e emoções não processadas pela mente racional. Quer dizer, 95% do conteúdo da sua mente, querido homo sapiens. A mente cartesiana, lógica, não consegue acessar estes conteúdos, e por isso, as explicações lógicas também não são necessárias. É bom lembrar que não somos somente um homem-macaco. Não somos somente uma individualidade e também não somos somente um ego. Nossa ligação com o mundo e com as pessoas, a começar pelo nosso pai, nossa mãe, nossos avós e antepassados são indissolúveis, profundas, vibrantes, vivas. Papai e mamãe, antepassados e todo o passado não morrem: continuam vibrando em nós, provocando emoções, influenciando atitudes, fazendo com que encontremos determinados tipos de pessoas e enfrentemos determinados tipos de situações. Os sistemas que nos envolvem, principalmente o sistema familiar, age em nosso inconsciente e influencia o nosso estado emocional e nossa personalidade. Não existe lógica em saber, por exemplo, que eu tenho tendência à depressão por estar identificado com o sofrimento de um ente familiar que nem conheci. Não tem lógica cartesiana, mas existe uma lógica sistêmica. E esta lógica sistêmica diz que somos fruto e conseqüência direta dos nossos antepassados e do que ocorreu com eles. Antepassados e fatos vivem presentes, hoje. Na realidade, não há passado, para a constelação. Há somente um eterno presente. Como tudo é presente, também não existem fatalidades, maldições, nem coisas boas ou más para serem herdadas. Temos a opção de escolher como desejamos a nossa vida, desde que olhemos para o nosso sistema familiar, reconheçamos o que existe nele. Para soltar a dor, é necessário olhá-la nos olhos.

Por isso, a constelação é um método para as pessoas que se cansaram de buscar explicações para o próprio sofrimento, e resolveram encontrar soluções. Sem culpar ninguém. Em algum momento, a pessoa pensa: cansei! Não quero mais isso! Existe algo maior a ser vivido, e estou disposto a viver. Estou disposto a fazer o melhor de mim, nesta vida, e a viver o melhor que a vida pode me oferecer. Estou disposto a deixar as mágoas se dissolverem… no seu tempo. Sim, tenho dores, tenho mágoa, tenho tristeza, talvez até tenha raiva, porém, ninguém tem culpa por elas. Nem eu mesmo.

Neste momento, a pessoa está pronta para fazer a constelação. É o ponto onde o sofrimento, os problemas e as dores se transformam em portas para você deslumbrar o amor profundo que existe do universo por si. Alguém lhe falou que o universo lhe reserva uma vida feliz, de realização. E este alguém está certo. Esta vida feliz já está, agora, viva, em si mesmo. Você é o projetor e a projeção da própria realização. Trabalhar as próprias emoções, conscientemente, e até alegremente (ou não), é a oportunidade que o universo lhe dá para perceber o amor que está por detrás de todas as questões, dos problemas, dos sentimentos, das brigas, até das mortes.

Problemas são interpretações mentais. Para o universo, não existem problemas: tudo são sinais para relembrá-lo que você é, neste momento, muito mais. Por detrás de tudo o que, aparentemente, é ruim, existe o amor.

Por que às vezes é tão difícil vê-lo? Principalmente quando estamos atolados até o pescoço de problemas? Porque esta é a grande brincadeira do universo. Se fosse fácil, se o amor se resumisse às pessoas que nos agradam, nos elogiam, nos amam, se amor fosse somente a riqueza, o bem estar, a saúde, o prazer… que graça teria? Se o amor se resumisse a termos, explicitamente, o papai protetor que nossa emoção queria, a mãe acolhedora que nosso coração necessita, como iríamos reconhecê-lo? Seria muito fácil. Tudo seria tão bom que não veríamos o amor. Por isso, o amor está escondido, para encontrarmos.

O amor se escondeu atrás da falta de tempo do papai, e do despreparo que a mamãe teve com você. Mas ele está lá. Pronto para ser achado. Não nas atitudes do pai, nem da mãe. Não o busque em gestos  ou atitudes dos pais e de ninguém. A relação do amor que vem dos pais se faz visível somente de coração para coração, sem palavras ou atitudes. A constelação familiar sistêmica permite o milagre de mostrar o quanto de amor o universo lhe dá, mesmo que seja num aparente abandono, numa aparente violência, numa emoção dolorosa, numa separação traumática… Quanto maior a dor, maior o chamado para se refugiar nos braços desse amor.

Ouça. Com o coração, não com a mente. Aceite. Entregue-se.

Conheça a Constelação Sistêmica (familiar e de caminhos profissionais e de vida): a técnica mais eficaz e rápida de você entrar em contato com suas emoções, resolver questões pessoais, e dominar a si e à sua vida. Clique aqui!

Grupo Meditação e Consciência – um espaço para você treinar a sua inteligência emocional e perceber que você é mais do que pensa ou sente. Clique aqui!

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constelação familiar em São Paulo, com Theresa Spyra

constelação familiar em São Paulo, com Theresa Spyra

Tenho um controle muito grande sobre as minhas emoções. A gente tem um pensamento, que é próprio da gente, e daí vem um outro, e eu fico na dúvida: será que sou eu, ou é algo do sistema familiar? Mas naquele momento, acho que o momento que é importante no trabalho, não preciso nem me preocupar, que vem.  Procuro não exagerar um pouco, mas no momento em que vem, não tem jeito. Não dá para segurar. Eu agradeço porque foi uma experiência muito rica.

Heloísa C. R. - enfermeira

Eu estou no olho do furacão. Estou processando. Não tinha noção, fiquei pensando: será que eu estou interferindo. Mas quando veio o sono, ficou muito claro: eu não estava com sono, e de repente, deu um sono danado. É uma surpresa pra mim, eu não sabia o que é. Então, estou processando todas as informações. É uma tremenda transformação, não dá pra gente participar da história do outro… mas algo trouxe uma compreensão para a gente. Estou me sentindo diferente. Processando, digerindo. Admiro quando a colega fala que controla as emoções. Eu não controlo coisa nenhuma. Deixa que vai, as coisas estão pegando bastante, mas estou com muita confiança. As sensações, aquela angústia do “perdão”, vem assim jorrando, e é muito, muito intenso. Não dá pra eu racionalizar tudo agora.

Veronika O. – advogada

Estou igual à minha amiga ali. Fiquei preocupada. Quando ela me chamou, pensei: não vou conseguir fazer. Mas é impressionante. Não é você quem faz. É alguma coisa que te leva. Você tem reações que você fala: nossa! Racionalmente, não consigo entender. Mas quando vai vivendo, aprende… Ter chegado no final com ela, foi muito bonito e bom também. Estou surpresa, processando… O bacana que você falou pra procurar um lugar, o interessante é que fui direto ficar ao lado dele. Eu não sabia por que, mas sabia que ali era o lugar que eu deveria estar. Achei muito interessante, e fiquei muito feliz por ter ajudado neste trabalho.

Luzia G. W. – psicóloga

Eu queria agradecer por trabalhar a história dele. Puxa, pra mim é… fantástico. Gostei de um momento em que eu, novamente, eu falei: não vou fazer o papel direitinho. Daí, o meu filho ali, ele falou: ninguém faz nada, o pai não faz nada! E eu pensei: puxa vida, então eu estou incorporando direitinho! (risos) Aí, eu quase falo pra ele: mas o que é que você quer que eu faça? Quase que falei isso pra ele. A minha esposa não fala comigo… (mais risos)… (a representante fala: era a esposa! Olha aqui – e aponta o marido, sentado ao seu lado) (mais risos). Estou muito feliz. Se eu continuasse tímido, como falei, no começo da reunião, eu não ia vivenciar isso, esse momento maravilhoso. É sinal que eu estou fazendo a minha evolução humana. Esta mexendo o que eu tenho que mexer dentro de mim. Eu percebo que este é o caminho.

Gilberto K. L. – músico

Para mim, as duas constelações foram muito importantes. A primeira, mostrou-me que a felicidade está logo ali… É verdade. Eu estava ali, a todo instante pra ela se resolver, e vir até mim. Conforme ela foi ficando feliz, eu fui ficando feliz junto. É assim. Puxa vida, por que nós estamos aqui? Para fazer isso. Ser feliz. Quero alcançar o que ela alcançou agora. Esta foi a primeira grande lição. A segunda constelação me tocou bastante porque eu tive algo parecido com ele, minha mãe pegou o amor obsessivo… eu sei o que se passou ali… (Theresa: não fala pelo outro…) É… Mas obrigado pelo trabalho. Eu agradeço estar com vocês. É muito bom mesmo.

Márcio F. – consultor de empresas

É um sentimento… de só sentir. É uma imensidão, e cada história, entra um personagem… Fiquei muito feliz em compartilhar as histórias, os personagens… é um sentimento que não tem explicação. É sentir…

Diva S. – fonoaudióloga

cenas da constelação deste domingo

cenas da constelação deste domingo

Publicado por: alexpossato | Junho 15, 2009

Podemos fazer constelação por outra pessoa?

Neste podcast, Theresa Spyra responde a uma questão: podemos fazer constelação por outra pessoa? Podemos modificar o outro? Esta resposta foi dada na constelação familiar sistêmica do dia 7 de junho de 2009.

Clique aqui e ouça o audio.

Próxima constelação em grupo, com Theresa Spyra, clique aqui

Publicado por: alexpossato | Junho 10, 2009

Como funciona a dinâmica da constelação familiar?

Theresa Spyra e Alex Possato

Theresa Spyra e Alex Possato

A pessoa coloca a questão, e nós procuramos no sistema familiar, normalmente. O problema que as pessoas tem, na vida, aqui e agora, as vezes não é dela. Ele vem do sistema familiar.

O que são fatos?

Mortes precoces, suicídios, abortos, segredos de família, imigração, e assim em diante. Tudo isso que aconteceu no sistema familiar, pode influenciar nas pessoas que vem depois. Ok? Isto é a base.

Como nós fazemos isso aqui?

Dependendo da questão, eu vou colocar pessoas da família. Às vezes, faço mais estrutural, e coloco idéias. E o cliente vai escolher um de vocês para representar o personagem. U solicito que seja colocado, por exemplo, o cliente, o pai e a mãe. Assim, o cliente solicita para alguém: você pode ser minha mãe, você pode ser o meu pai, você pode ser eu…? A pessoa escolhida pode aceitar, ou rejeitar. Depois o cliente posiciona os representantes no espaço aberto. O que vai acontecer? Estas pessoas vão perceber a energia do pai, da mãe e deles mesmos. Assim, a pessoa que representa o pai, irá sentir a energia do pai a respeito daquela questão que está sendo colocada.

Representantes

Pessoas que se colocam a disposição como representante, servem como ferramenta. Ela observa as energias e comunica. Ou às vezes se move. Tem imagens, idéias, sensações. Isto serve para a gente esclarecer a questão do cliente. Isto não tem nada a ver com incorporação. Simplesmente, nós podemos sentir outra pessoa. Se nos colocamos a disposição de uma pessoa, ela pode perceber a pessoa. Por exemplo, às vezes alguém sente algo e diz: nossa, acho que minha mãe não está bem. E liga para ela, e realmente, aconteceu algo.

Conexões

Estamos realmente conectados. Parecemos separados, mas na verdade, estamos todos conectados, e em todos os momentos somos capazes de sentir o que o outro sente. E não só o outro. Todo o sistema familiar. Então, simplesmente o representante se coloca à disposição. Através deste “se colocar a disposição”, muitas vezes a pessoa também se trabalha. Mesmo só assistindo, de fora, não se dá para fugir, porque a energia é muito forte, e todo mundo percebe, uns mais, outros menos, o que está ocorrendo.

Explicação do processo feito pela trainer e terapeuta alemã Theresa Spyra, durante a constelação familiar sistêmica realizada em São Paulo, no dia 7 de junho de 2009. Conheça mais sobre o trabalho de Theresa Spyra, do nokomando-desenvolvimento humano, clicando aqui.

Leia aqui a reportagem sobre o trabalho de constelação sistêmica com Theresa Spyra, publicada no Guia da Semana. Clique aqui.

Publicado por: alexpossato | Junho 2, 2009

Theresa Spyra e constelação familiar sistêmica

Relutei um pouco em escrever sobre a Theresa. Não é que ela não mereça, não seja uma grande terapeuta, ou coisa desse tipo. Na realidade, ela é minha esposa, e por isso, achei que talvez estivesse puxando a sardinha… sabe como é que é, né?

Mas seria incoerência da minha parte não falar da maior terapeuta que já vi trabalhando, e que, além de me ajudar profundamente em resolver todos os processos emocionais que me acompanharam a vida toda, tem recebido o carinho e admiração dos seus próprios clientes. Vou contar sua história.

Theresa é alemã, nascida em Kempten, Bavária, próximo aos Alpes alemães. Desde cedo, tinha a curiosa mania de sair com sua bolsinha de primeiros socorros, pronta a atender a primeira pessoa que estivesse necessitando de cuidados. Seu sonho? Ser missionária em algum país da África. Inclusive a sua mãe queria que ela fosse enfermeira. Mas Theresa precisava passar por outros tipos de experiência. Saiu de casa aos 18 anos, para enfrentar o mundo da cidade grande, Berlim, se formar em economia e análise de sistemas, e trabalhar como promissora executiva. Porém, algo dentro de si a impelia rumo ao desconhecido, à aventura, ao desafio. Deixando o emprego seguro e seu ótimo salário, partiu em viagem pela América Central, desde o México, descendo, país a pais, até a América do Sul. Este percurso foi realizado em oito meses. Foi aí que nos encontramos. Eu, vindo do Japão após três anos de trabalho, estava de férias no Peru e Bolívia. Ela, vinda do México, estava também no Peru – destino, a cidade inca de Machu Pichu. Nos conhecemos, e não nos soltamos mais.

Theresa veio morar no Brasil. E então, começou o seu contato com o mundo da “cura” e da terapia. Dona de uma percepção e intuição ativa, Theresa freqüentou centros espíritas kardecistas, e embora não tenha se identificado tanto com a formalidade e inflexibilidade da doutrina, entrou em contato com o conteúdo de sua mente inconsciente e as inúmeras percepções que tinha, definidas pelos espíritas como mediunidade. Theresa prefere não acreditar se é mediunidade, ou se é um simples acesso à mente inconsciente, dela, ou o inconsciente coletivo. Não importa para ela, a existência ou não dos espíritos – importa o trabalho e a cura com os vivos.

Nesse caminho, Theresa estudou e formou-se em Reiki máster, máster em programação neurolinguística – PNL, terapeuta de shiatsu, além de ser, durante um período, dirigente da Seicho-no-iê. Não abandonando o seu lado empreendedor, é também empresária, e aí começou a trabalhar com treinamento. Finalmente, os seus estudos e vontade a direcionaram à formação em constelação familiar sistêmica, segundo o método de Bert Hellinger, constelação estrutural, segundo Insa Sparrer e Matthias Von Kibed e hipnoterapia, de Milton Erickson, curso que a levou de volta à Europa, especificamente, Suíça.

Eu diria que a maior qualidade da Theresa, como terapeuta, é a sua capacidade de observar a essência do seu cliente. E direcioná-lo a encontrar, observar e tomar posse dessa essência. Theresa não enxerga o problema, não busca explicações para o problema, não coloca culpas ou erros nas costas do seu cliente. Embora ela possa ser bem dura, quando necessário, é também acolhedora, e deseja, sinceramente, que o cliente consiga ver a sua própria energia natural fluir, harmonizando, em primeiro lugar, o relacionamento consigo mesmo. A partir daí, os relacionamentos exteriores, o trabalho, a saúde, tudo o que pode apresentar distúrbios, harmonizam-se naturalmente.

Theresa Spyra, por Theresa Spyra:

Certo e errado 1

“Recuso-me falar de certo e errado. Isto só confunde. Não acredito em certo e errado. Tem resultados favoráveis e desfavoráveis para o momento no qual ocorrem, isto não significa que continuam sendo o que pareçam ser. O que parece desfavorável, num momento bem próximo pode se mostrar favorável.”

Gratidão

“Vivi quase toda minha vida em regalia, na Alemanha, e nunca tive a sensação de gratidão, tudo estava sempre ao alcance, e costumávamos reclamar quando algo faltava ou não era conforme a nossa vontade. Viver em abundância não tem nada a ver com gratidão, muito ao contrário. Hoje gratidão para mim é receber o que a vida está me oferecendo neste momento. Acordar um o barulho da chuva, o carinho da minha filha, em outro momento a insatisfação dela, sentir o calor do sol no meu corpo, jogar um jogo com a família, parar por um momento para me auto-observar e perceber que estou bem onde estou, satisfeita comigo, com a minha vida e com meu trabalho e com tudo que eu me coloquei a realizar. Posso ir com calma, sem correr, curtindo a paisagem e tudo que vier.”

Honestidade consigo mesmo

“Por tão pouco pagamos um preço tão caro, ao esconder de nós mesmos o que ocorreu, nós nos afastamos cada vez mais da nossa essência, e assim, do que estamos buscando.”

A missão

“A vida de formiga é uma festa só. Ela gosta da sua missão, sai cedo de casa, cheia de vontade e alegria com a perspectiva de encontrar folhas bem suculentas e gostosas. Corta-as com todo cuidado e perfeição, e um especial prazer é cortar um grande pedaço de folha, tão grande, mas que ainda dá para carregar: isto a deixa mais contente e alegre ainda. Depois começa o malabarismo divertido: às vezes a folha é pesada demais, e nas suas manobras perigosas vai embora o equilíbrio e a folha se perde. Se não tem como recuperar o tesouro precioso, não faz mal; a formiga volta para cortar mais uma folha. Algumas vezes até acha no caminho um pedaço de folha abandonado. Alguém parece ter perdido… e ela pega alegremente e recomeça a sua jornada. O peso deixa as pernas bambas, porém, isto a anima mais ainda. A superação é o seu jogo preferido, já que gosta de se divertir durante a tarefa diária. Nunca pensou em reclamar. Afinal de que? A vida é boa como ela é. Às vezes ela vê a cabeça de uma companheira, às vezes o bumbum redondo, mas ninguém tem tempo para parar e bater papo. A missão é o mais importante, não há dúvida. Como também não há dúvida de que essa formiga se acha a mais importante: ela somente percebe o seu próprio trabalho, e como vai saber o que os outros estão fazendo. E afinal, o que interessa?”

Certo e errado 2

“O mundo nos cobra o “certo”. Primeiro são os pais, os parentes, os professores e … logo, logo somos nós mesmos que cobraremos resultados melhores para nós (o certo), julgaremos todos os acontecimentos (certo ou errado)… para chegar onde?

E se eu fizer tudo certo, de acordo com os meus padrões, se eu me empenhar ao máximo, onde eu posso chegar? O que eu posso alcançar com isto? Felicidade? Reconhecimento? Satisfação? Equilíbrio? Segurança? Controle do futuro? Controle sobre os outros?”

Pais e filhos

“Nos dias de hoje presenciamos muito desequilíbrio nos relacionamentos familiares. Até parece que as coisas se inverteram. Quantos pais estão preocupados em serem aceitos pelos próprios filhos? Se sentem rejeitados pelos filhos, muitas vezes já desde a infância. Os pimpolhinhos não obedecem, parecem ser mais fortes e insistentes que os pais, tem as rédeas nas mãos, são eles que mandam nos pais. É muito doloroso para um pai e uma mãe não terem a a autoridade como pai ou mãe. Eles querem desesperadamente ser aceitos pelos filhos, por isto compram a atenção deles, com brinquedos, video-games, viagens, roupas, carros, etc. Mas o respeito não pode ser comprado. E quando os pais não respeitam os próprios pais, como eles podem esperar serem respeitados pelos próprios filhos? Eles não transmitiram este sentimento para eles. Nem em palavras, nem em ações.”

 

Constelação sistêmica com Theresa Spyra – clique aqui

 

A cura através da mente inconsciente

Um cliente nossa, após vários meses de ter feito a terapia de constelação familiar, retornou, dizendo:

- Sabe, passaram-se vários meses depois do trabalho, e chegou o final do ano, comecei a fazer uma reavaliação do que passou, dos meus planos, etc., e lembrei-me da constelação que fizemos. Mas sabe o mais interessante? Eu tentava lembrar qual era a minha questão, qual era o problema que eu queria resolver, e não conseguia. Fiquei muito intrigado, porque sou racional e tenho tudo na cabeça. Só depois de muito pesquisar dentro de mim mesmo, voltou a questão na memória, para então perceber que o problema desaparecera, sem eu nem perceber.

Este cliente passava por uma situação dentro de casa, onde uma irmã com questões de neurose incomodava demais toda a família, desestruturando a todos e dificultando a concretização dos planos individuais de cada um, já que ela canalizava a energia de todos com as suas crises. Admirado, o cliente percebeu que a irmã restabeleceu um ritmo de vida razoavelmente equilibrado, não apresentava mais os surtos e todos podiam olhar um pouco para si mesmos. Foi justamente neste espaço que ele viu a oportunidade de repensar em sua vida, no seu trabalho, nos seus relacionamentos, coisas que estavam esquecidas devido à preocupação sempre ativa com os problemas da irmã.

A resolução da questão veio inconscientemente, já que o sistema familiar não é percebido pelo ego, quer dizer, pela mente consciente. A irmã nada soube da terapia sistêmica realizada. O trabalho também não foi para “resolver” o problema da neurose, porque não é possível trabalhar o “problema do outro”, mas sim, o problema que nós temos ao estar em contato com o problema do outro. O problema, na verdade, é sustentado por todos os membros da família. Por exemplo, uma engrenagem do relógio pode estar com defeito, mas o problema é do relógio que não funciona direito. A família é assim também: alguém pode apresentar um problema, mas a pessoa que busca o trabalho sistêmico deve entender que a única solução possível é ela estar e viver o melhor possível dentro desta engrenagem familiar. Não significa que o outro irá melhorar, mas que ela viverá bem, “apesar” do problema. E às vezes, não é que, por deixarmos de dar combustível ao problema do outro, ocorre a melhora também?

De onde vêm os problemas?

Vamos falar um pouco sobre a percepção dos problemas através da nossa mente? Vou tentar ser simples. Se meu irmão tem problema, de quem é o problema? É dele, certo? Sim, é dele. Então, qual é o meu problema, já que sou irmão? O meu problema é o problema emocional que o problema dele causa em mim. Sinto-me incomodado, perturbado. Às vezes, sinto-me culpado porque eu apresento comportamento saudável, e ele não. Fico chateado porque meu pai e mãe olham para ele, que provoca diversas questões, e não olha para mim, porque eu sou “normal”. Tenho inveja  dele, que por sua neurose, recebe mais cuidado, mais carinho (no meu ponto de vista), mais atendimento. E eu, ora bolas?

Está percebendo, querido leitor? Emocionalmente, eu entro em sintonia com a neurose do meu irmão. Devido à neurose dele, eu desperto a minha neurose, mesmo que ela não se manifeste em tanta intensidade.

A cura ao olhar para dentro

Se eu parar para respirar, lentamente, observando o ar entrando e saindo, e olhar somente para mim, profundamente, esquecendo por alguns segundos o meu irmão, meu pai e minha mãe, perceberei que não preciso de nada. Sou amado, acariciado e visto, sempre. Dentro de mim pulsa uma alma aberta e grandiosa, que é capaz de ver todas as dificuldades, sem se inquietar, questionar ou exigir. Vou ver que tenho desejos, vontades, coisas que me dão prazer e nem estão sendo notadas, porque tenho a neurose do meu irmão como desculpa. Mas é exatamente ao me focar na neurose dele que posso também me sentir fraco, impotente, coitado… E assim, no fundo, desejo que a situação continue, pois vivemos num círculo de cobrança mútua, sofrimento mútuo e “cegueira interior” total.

Eu não tenho nenhum problema. E meu irmão também não. Somos essencialmente bons e perfeitos. As manifestações de neurose não passam de ondas na superfície, mas no interior profundo deste oceano reina o silêncio. O barulho que a minha mente faz ao ver o que acho que é problema, na realidade, é o meu barulho. A neurose do meu irmão é a minha neurose. Assim são todas as visões que temos de problemas. O problema que vemos fora, está dentro. Mas na superfície. Porque se mergulharmos para dentro de nós mesmos, percebemos que também este problema nosso é inexistente.

Tomei a liberdade de dizer que este irmão neurótico da minha cliente era meu irmão, porque também é. Somos um sistema. Terapeutas, clientes, leitores, eu e você, que lê esta linha, agora, estamos todos conectados. Literalmente. Podemos dizer que estamos conectados pelos problemas e dificuldades… dizem que pessoas semelhantes atraem pessoas semelhantes. Porém, eu prefiro dizer que estamos conectados pela nossa essência, pura, intocável, o silêncio essencial. Este silêncio é a fonte da cura, da alegria, do prazer. O problema serve simplesmente como um grito, para lembrar esta essência. Assim, seja abençoada essa neurose. Que nos lembra a vida e a alegria de viver.

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Publicado por: alexpossato | Maio 19, 2009

A criança adulta

Sou uma criança. Apesar dos meus pelos no corpo, da minha barba aparente, dos meus seios crescidos, sou uma criança. Ninguém nota isso, porque disfarço bem. Trabalho, menstruo, dirijo carros, tenho filhos, jogo bola e tomo cerveja, falo coisas inteligentes, ando de lá pra cá sem pedir autorização…

Às vezes, até eu esqueço disso. Quando sou fechado por alguém no trânsito e lanço um palavrão cabeludo, às vezes até me surpreendo: nossa, por que ele fez isso comigo? Lembro-me dos tapas que recebia dos meninos grandes na escola, e eu não podia reagir. Mas agora posso: vá tomar no …! Lembro-me quando minhas amigas riram da finura das minhas pernas à mostra, sob a saia, e das espinhas que teimavam florescer em meu rosto… queria me enfiar embaixo do tapete. Sinto que me agridem de graça…

Continuo sendo uma criança. Minha mãe, hoje, vem me dizer como educar meus filhos, igualzinho quando ela interferia nas minhas lições, nos meus namorados, nas minhas roupas. E eu já faço a mesma coisa com meus filhos. Vivo interferindo na vida deles. Mas todo mundo diz que mãe tem que educar. Pai tem que educar. E não é isso que é educar? Sei lá… como uma criança pode saber?

Quero conquistar muitas coisas. Vou atrás dos meus objetivos: um carro, uma casa, um curso, uma obra que criei, um livro que escrevi, um caminho espiritual que segui. Quero um cara que me dê segurança, uma mulher que me dê carinho. E daí posso mostrar pros primos: ta vendo, eu consegui. Posso mostrar para meu irmão: vou correndo, como quando ganhei um brinquedo novo e mostro a ele, todo gabola. É meu! E saio correndo com o brinquedo embaixo do braço. Fiz isso com a bola que ganhei, com a boneca, com o carro zero, com o namorado novo e com o emprego de gerente que consegui, passando por cima de tantos outros babacas. Não vou deixar eles brincarem com o meu brinquedo.

Mas parece que ninguém tá nem aí comigo. Meu marido nem me nota. Não quer brincar comigo, nem fazer carinho. Minha esposa só pensa em cuidar dos filhos. E cuidar, pra ela é só dar bronca. Não dá pra brincar assim com gente enfezada. Então eu bato o pé. Eu choro, finjo que vou embora, arrumo um caso, só pra ser notado. Engraçado, só acho namorado e namorada igual a mim. Uma criança que bate o pé.

Por que será? Porque será que quero ser notado pelos outros? Porque quero que um homem ou mulher me dê carinho e segurança? Porque ganho dinheiro, aprendo coisas, caso, crio filhos, compro casa e carros, quero ser importante? Para quem?

Nossa… esqueci do papai. Esqueci da mamãe… Quantas vezes eu quis ter o papai ao meu lado, nas minhas conquistas, e ele não esteve. Quantas vezes quis ser pega no colo pela minha mãe, quando eu chorava, e ela, simplesmente gritou: vá se arrumar pra jantar! E logo, viu! Eles não sabem que tudo o que eu estudei foi pra eles. Pra eles verem que eu sou alguém, que eu também sei, que eu também sou bacana! Eles não sabem que construí minha vida querendo agradá-los. Mesmo quando os xinguei, fiquei sem falar com eles, chamei-os de quadrados e idiotas… Mesmo quando não conheci meus pais… tudo que fiz foi por eles, para ser visto e amado, como uma simples criança quer e merece.

Mas eu não mereci. E por isso, acho que sou errada. Sou errado. Não presto. Papai nunca gostou de mim. Mamãe também não. Só cobram que eu seja a criança certinha, e por mais que eu tente, eu não consigo.

Deixa eu olhar bem pra cara da mamãe, e do papai. Vou falar pra eles o quanto eles fizeram de errado. Abandonaram-me, não me apoiaram, criaram-me de um jeito errado, desleixado, sem amor. Eles não me amaram nunca! Mas espera lá. Estou vendo nos olhos de papai uma criança carente e mimada. Como eu. Ele também queria que o vovô olhasse pra ele. Mamãe, seca e dura, nunca foi pega no colo pela vovó. Ela também está com birra.  O que adianta eu querer ser reconhecida pelo papai e pela mamãe, se eles estão olhando para trás, para vovô e vovó! Eles não me enxergam! E vovó e vovô também estão em busca do amor dos pais deles… Nossa, quanta coisa aconteceu no meu passado familiar: separações, abortos, homicídios, imigração, fugas, abandonos, encontros, amores não correspondidos, lares desfeitos… Papai e mamãe carregam tudo isso nas costas. Crianças perdidas e errantes, num campo devastado pela solidão, pobreza e guerra, em busca de serem reconhecidos. E eu também estava carregando… Mas essa mala não é minha. Nossa, como sou criança!

Ôpa, acho que estou crescendo. Não quero mais ser reconhecido pelo papai e pela mamãe. Eles parecem como adultos, falam como adultos, têm muita experiência e feitos, mas… são crianças como eu. Como eles podem me reconhecer, se têm emoções tão infantis? O que adianta eu querer parceiro para me amparar e me reconhecer, ficar no lugar do papai e mamãe? Vou encontrar outra criança, como encontrei até agora. Meninos e meninas que mal saíram das fraldas… O que adianta em querer mostrar meus brinquedos novos, minhas conquistas, minhas habilidades profissionais, minha espiritualidade para papai e mamãe, se eles não estão nem aí? Eles querem amor, o amor que não perceberam no vovô e vovó, e eu só estou cobrando amor que eu não recebi. Esta história vai longe. Muito longe. Mas eu não quero mais isso. Eu tenho filhos, e terei netos. E quero que eles estejam satisfeitos com a vida deles, do jeito que eles são. Não quero mais ser reconhecido. Deixa pra lá. Papai e mamãe me deram a vida, e isso é o suficiente. Já foi muito. E eu me reconheço. Mesmo com minhas mágoas, com minhas dores, sou um cara forte, cheio de amor para dar. Sou uma mulher forte e capaz, do jeito que sou. Eles não podem me reconhecer, mas eu posso reconhecer o que recebi deles. Mesmo que tenha sido só a vida. Só a vida?… Só?

E posso reconhecer muitas coisas nos meus filhos. E posso falar o que eles têm de bom, porque eles querem ouvir – estão esperando por isso. Posso fazer a minha parte, o meu trabalho, as minhas relações novas e livres, adultas, e ser feliz por mim mesmo. A minha felicidade não depende de ser reconhecido por papai ou mamãe.  Eu posso reconhecer muito nos meus clientes, amigos, namorado, mulher, professores. Todos eles são crianças, como eu, em busca do amor de papai e de mamãe. Freud explica. Mas eu faço a minha parte. Assim eu sou feliz. Porque eu me reconheço como sou. Uma criança consciente. Agora dá licensa, que está ventando e vou empinar pipa…

Alex Possato é diretor do

Nokomando – o site da sua consciência pessoal e profissional

Despertar para a alegria e simplicidade de liderar a si, as relações, a profissão e a vida

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Publicado por: alexpossato | Abril 28, 2009

Rejeição e filho adotivo

Rejeição e filho adotivo

 

Sou pai adotivo. E filho adotivo. Meus pais se separaram logo na época do meu nascimento, e então se iniciou uma disputa entre meus avós paternos e minha mãe para ver com quem ficariam “as crianças” – eu e meu irmão mais velho. Eles, meus avós, mas principalmente minha avó, mãe do meu pai, achava que nós não estávamos sendo bem cuidados. Isso era fato: volta e meia, apresentávamos problemas de saúde, alergias, gripes prolongadas… a alimentação não era bem controlada. Ficávamos aos cuidados, ou de ninguém, ou de alguma empregada. Uma das quais, uma evangélica fanática, gostava de nos espancar, com uma bela cinta de couro.

Certa vez, ao visitar vovó, ela percebeu as marcas e vergões dignas de um feitor de escravo do século XVII. Não teve dúvidas: rumou à delegacia e abriu um boletim de ocorrência. Mamãe não era uma má pessoa: estava envolvida em suas neuras, desde criança, e não podia e nem sabia fazer melhor. Tanto que aposentou-se precocemente, por invalidez emocional…

De qualquer forma, eu não estava muito atento a estes fatos. A vida passava, e eu era muito “desligado”… Não sofria, embora uma amiga psicóloga sempre tentou me obrigar a entender que eu sofria, e estava simplesmente bloqueando emocionalmente os fatos dolorosos.

Cresci, estudei, comecei a criar uma visão do mundo, e lógico: durante o meu período de adolescência, tinha que enfrentar o mundo e começar a fazer minha vida. Eu era inseguro, tímido, e morria de medo… daí para culpar mamãe, papai e vovó pelas minhas dificuldades, foi um pulinho… Aí a psicologia “ajudou-me”: deu a desculpa que eu precisava para saber as razões das minhas dificuldades… Engraçado: quem é que não morre de medo ao enfrentar o mundo, tem sua dose de timidez e insegurança? Adotivos e não adotivos, todos têm, não é mesmo? E se todos têm, isso é problema?

 

Mamãe foi rejeitada, vovó foi rejeitada…

 

Hoje, já passei dos quarenta. Estou ótimo e sinto-me um molequinho… igualzinho quando saí da casa de vovó, aos quinze anos, para ir morar com mamãe. Pois é, o filho pródigo de retorno ao lar… Cresci, criei minha família, e… lógico, algo me fez adotar… Poderia dar milhares de explicações do por que adotar, mas simplesmente estava em mim, e na minha esposa… era uma força maior do que minha razão…

De alguma forma, queria fazer uma família feliz… Queria construir o modelo de família que eu não tive… e por algum motivo, neguei meus pais, meus avós e minha infância… Casei com uma mulher incrível, tive a primeira filha e adotei o segundo filho – este, um molecão que já chegou com quatro anos de idade, e que me provocou muito…

Adotei “eu mesmo”, sem saber. Por alguma volta do destino, estava refazendo o caminho da minha vida, da minha infância, e depois descobri, da vida da minha mãe e da minha avó… Pois é: elas também foram rejeitadas. Vovó perdeu sua mãe quando era criança. Ficou extremamente ferida e carente… E seu pai, meu bisavô, a deixou, para ser cuidada pela… adivinhem? Vovó – a mãe dele… Minha avó deve ter ficado “fula da vida”! Geniosa, forte, dominante, tão logo alcançou a maioridade, tirou o nome paterno do seu… Excluiu o pai da sua vida… como se isso fosse possível.

Minha mãe nunca fora abandonada… mas sentiu-se. O pai, meu avô, era alcoólatra. Japonês, vindo da pobreza e miséria do Japão pós-guerra, como todo bom japonês, era seco igual um punhado de farinha. Ele também fora rejeitado pelo seu país… saiu a contragosto, empurrado pela dificuldade. E não conseguiu estar presente para seus filhos. Mamãe sentiu-se também rejeitada. Todo mundo era melhor que ela, mais bonito, mais esperto, mais inteligente. E ela era um lixo. Pelo menos se sentia assim, e ainda traz esta péssima auto-estima…

 

A rejeição vem do sistema familiar

 

Hoje trabalho com psicoterapia. Trabalho com constelação familiar sistêmica. Minha parceira, mestre terapeuta, ajudou-me a resgatar este passado. E a constelação ajuda-me a perceber que a rejeição não é do filho adotivo que eu fui, nem existem culpados para ela. Minha mãe tinha esta rejeição, o pai dela também, minha avó também e até meu bisavô, com certeza, sentiu-se rejeitado. Esta história não tem fim. Trazemos impregnado em nosso DNA heranças ancestrais. Nossos medos e alegrias, traumas e conquistas não são reflexo somente de fatos que vivenciamos na nossa infância… Eles são carregados pela linhagem familiar. Qualquer mamãe ou papai sabe que os filhos já nascem com determinados comportamentos, com características emocionais.

Já vi isto até em ninhadas da minha cachorra. Enquanto alguns filhotes, alguns dias de vida, se atiravam desesperadamente atrás do leite, um ou outro, não tinha força, eram medrosos e parados. E com certeza, teriam mais dificuldades na vida…

Eu herdei um pouco desta lerdeza, deste medo de mamar nas tetas da vida. E não foi culpa da minha mãe. Nem do meu pai. Nem de ninguém. Através da constelação, entrei em contato profundo com esta emoção da rejeição, que é lugar-comum da minha história familiar. Comecei a aceitar minha família. A acolher todos os que foram rejeitado. E assim comecei a aceitar a mim mesmo. Pois sou parte intrínseca desta família. Eu não seria nada, literalmente, sem minha história, sem meus pais, avós e antepassados. E somente aí, comecei a realmente ser pai do meu filho. Ele deixou de ser “eu quando garotinho”, e passou a ser uma individualidade. Alguém também com um história, que um dia irá confrontá-lo. Mas que cabe a ele resolvê-la. Meu filho faz parte do meu sistema, hoje. Mas também, principalmente, é filho dos pais biológicos dele. Isso nunca irá modificar. Um dia, eu voltei à minha mãe e reaproximei-me do meu pai. Cheguei inclusive a cuidar dele, em seus últimos meses de vida dominada por um câncer generelizado. Não foi bondade, não foi caridade. Simplesmente tinha que ser assim. E fico satisfeito por ter feito isso, mesmo que às vezes tenha sentido muita vontade de dar um “pé-na-bunda” do velho, tão exigente e arrogante…

Meu filho adotivo tem o caminho dele. Eu sou o pai adotivo. Sou o segundo pai, segundo a constelação familiar sistêmica diz. E sempre estarei aqui, como segundo pai. Ele tem um primeiro pai. E uma primeira mãe. Não sei se eles estarão presentes a ele, algum dia. Mas isso é pacote que ele terá que desembrulhar… Eu faço a minha parte. Hoje, eu me não me sinto mais rejeitado. Espero que ele também não se sinta. Pois a cura para isso está na inclusão: incluir aqueles que também foram rejeitados em nosso sistema, a começar pelo… papai e mamãe… Por mais doloroso que isso possa ser, só posso dizer uma coisa: esta dor liberta…

 

Alex Possato é consultor e diretor do nokomando-desenvolvimento pessoal e profissional.

 

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Publicado por: alexpossato | Abril 22, 2009

Origens da Constelação Familiar Sistêmica – Virginia Satir

O método sistêmica de trabalho não nasceu com Bert Hellinger. Ele adaptou técnicas e experiências já conhecidas e eficazes, acrescentou elementos da sua experiência terapêutica e intuição, e vem transformando o trabalho ano após ano.

Uma das técnicas que muito inspirou Hellinger, com certeza, foi  a chamada Família Simulada. A conhecida terapeuta Virginia Satir, em seu livro Terapia de Grupo Familiar, explica um pouco sobre o que foi esta experiência:

 

“A família simulada.

 

O grupo Bateson, trabalhando em Palo Alto, em 1954, chegou à conclusão de que as famílias são restringidas por padrões comportamentais redundantes que ocorrem repetidamente sem que elas tenham ciência do fato. Procurando demonstrar isto através da dramatização (role-playing) entre os membros do grupo (Bateson, Jackson, Haley e Weakland), ficaram surpresos ao observarem que estavam desenvolvendo fortes sentimentos com relação aos comportamentos que estavam meramente representando no papel de determinados membros da ‘família’. Além disso, foram capazes de mostrar que, através da observação de certas regras elementares, poderiam simular, por exemplo, a família de um paciente esquizofrênico crônico com tal fidelidade que a gravação dessas sessões, enviada a diversos pesquisadores de todo o país para diagnóstico ‘cego’, foi considerada como sendo um registro de uma família esquizofrênica autêntica. Até mesmo as vozes dos pesquisadores (que eram conhecidas dos outros) não foram reconhecidas, apesar de não terem pretendido modificá-las.

Tenho tido experiência (continua Satir) de utilização das técnicas da ‘família simulada’ (alguns tradutores preferem o termo ‘construção familiar’) com centenas de audiências diferentes e com diversos tipos de grupos profissionais, tais como médicos, assistentes sociais, professores e enfermeiros. É preciso fazer uma observação a respeito do uso dos jogos para objetivos de formação. Uma reação comum de profissionais que não participaram de tais jogos é que estes são meramente dramatizações e, portanto, irreais. Em toda minha experiência de utilização destes jogos com diversos grupos de todos os pontos do país, não encontrei uma só pessoa que, uma vez envolvida num sistema de jogo, não desenvolvesse vívidas ‘reações de entranhas’ aos papéis que exercia, particularmente aqueles contrários à sua própria auto-imagem. É muito comum alguém dizer, após um determinado jogo: ‘agora sei como a Sra. X se sente e posso entender que ela tenha realmente um problema de úlcera! Isto é justamente o que ela faz. Depois de cinco minutos fazendo isto, sinto meu estômago queimar’.”

 

Bem, querido leitor do Blog Constelação Sistêmica, você pode ver que a origem da Constelação remonta a décadas anteriores ao trabalho de Hellinger. Satir é renomada terapeuta, e seu trabalho foi utilizado como fonte de pesquisa para a sistematização da programação neurolingüística, a PNL. Bateson foi um importante pesquisador americano, que além de antropólogo, investiu seu tempo e conhecimento em trabalhos de psiquiatria, comunicação, aprendizagem, entre outros. Jay Haley, psicoterapeuta com um trabalho vasto, discípulo e amigo de Milton Erickson, foi um dos maiores terapeutas hipnólogos do século XX.

Portanto, não é errado dizer que a Constelação Familiar Sistêmica tem elementos da PNL e da hipnose ericksoniana. Nos próximos dias, estaremos mostrando para você outros elementos que auxiliaram Hellinger a encontrar o seu próprio caminho terapêutico.

Até lá!

 

Alex Possato é consultor de sentido de vida e imagem pessoal, e diretor do nokomando-desenvolvimento pessoal e profissional. Ouça meu último podcast, que fala sobre “os desejos do coração”. Clique aqui.

 

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