Posted by: alexpossato | Junho 24, 2008

Filho de pais separados

Joschi vivia com sua mãe e seus três meio-irmãos. Contava pouco sobre sua casa e sobre sua mãe e seu pai, só esporadicamente. Quando nós jogamos o jogo da família, ele também quis constelar. Ele bem que havia percebido como em cada constelação se desenvolvia um respeito pelo destino da família. Ele disse: “Desde algum tempo sinto que pertenço a meu pai, mas vivo com minha mãe”. Isso foi corajoso.

Ele constelou: em uma fila sua mãe, próximo a ela seus três meio-irmãos e um pouquinho além, o pai. Colocou a si mesm e seu próprio pai num ângulo de 60 graus e cerca de metro e meio distante deles.

Quando os representantes haviam sido colocados, o representante do pai de Joschi disse: Joschi pertence a mim! Então a representante da mãe esteundeu seus braços e disse: Quero que o garoto fique comigo. Joschi estava sentado em sua carteira e concordou com a cabeça. Agroa estava olhando esse conflito de fora, sem ter falado muito sobre isso.

Sugeri ao representante de Joschi que ficasse ao lado de sua mãe, próximo a seus irmãos, e dissesse ao pai: Eu amo você. Eu pertenço a você e no momento ainda vivo com a mamãe. Essa era uma frase solucionadora. Então disse para a representante da mãe: Mamãe, eu pertenço ao papai, e no momento ainda vivo com você. A palavra ainda deixava em aberto quando ele deveria ir para seu pai, e indicava que iria deixar a esfera de influência de sua mãe. Com isso, iniciou-se um processo sobre cuja extensão e duração nenhuma afirmação foi feita. Após a constelação, disse a Joschi: Como um homem, voce pertence aos homens. Ele riu e bateu com os punhos no peito.

Nas semanas que se seguiram, a mãe de Joschi veio até meu horário extraclasse. Joschi não tinha falado nada sobre a constelação familiar. Por si mesma, ela mencionou o quanto era ligada a Joschi e questionava se isso estava certo. Ela disse: Eu não sei se serei capaz de entregá-lo a seu pai se ele quiser agora que Joschi vá viver com ele”. Disse-lhe que também tinha sido difícil entregar meus filhos para o pai, mas que havia um tempo e um lugar certo para cada decisão.

Como um exercício, ofereci às crianças de famílias separadas colocarem ambos os pais um ao lado do utro, mesmo se vivessem separados, e colocar-se diante deles.

Eles são as raízes, e você é o dente, dizia isso frequentemente, e desenhava um grande dente com duas raízes no quadro.

Eles reverenciavam os representantes de seus pais e diziam: Eu concordo que vocês vivam separados, mesmo que isso me doa. Eu sempre serei a criança de vocês dois.

Marianne Franke-Gricksh em Você é um de Nós, Editora Atman, pgs 76/77

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Posted by: alexpossato | Junho 17, 2008

Constelação e eficiência terapêutica

A prática da constelação familiar sistêmica, bem como suas outras vertentes, como a constelação empresarial e profissional, vem sendo disseminada na Europa e no Brasil, principalmente, com uma velocidade incrível. Por ser aparentemente uma técnica simples, vemos pessoas com pouca prática e as vezes nenhum treinamento específico, desenvolvendo a prática da constelação. Até aí, nada errado, afinal, cada um deve saber o que faz, e acredito que as pessoas que procuram grupos de trabalho especializados em constelação são responsáveis o suficiente para saber com qual terapeuta ou facilitador deseja ser tratado.

A grosso modo, a constelação não possui contra-indicações, e por ser uma técnica absolutamente vivencial, dita fenomenológica, onde o cliente sente e se emociona sem ser induzido racionalmente pelo terapeuta, tudo o que ocorre com ele é fruto das suas próprias vivências interiores. Isso quer dizer que ele não sairá de uma constelação com problemas e soluções que já não estavam latentes em si mesmo.

Isso, é claro, se ocorrer o que foi dito acima: não ser induzido racionalmente pelo terapeuta.

Para quem não conhece o processo da constelação, deixo aqui uma explicação rápida: da mesma forma que suas características físicas foram formadas pela herança genética que você recebeu dos antepassados, suas características emocionais e impulsos, em grande parte, também o são. Isso quer dizer: antes de você ter formado a sua mente racional, acreditar nas coisas que acredita hoje em dia, acumular conhecimentos e experiências, vivenciar momentos bons e outros ruins, já herdou de seus antepassados impulsos que influenciam suas emoções. Esses impulsos, que podem ser agradáveis ou não, chamamos de sistema familiar. O sistema é anterior à formação da mente humana. Isso quer dizer que não adianta tentar influenciar a mente através de idéias e induções racionais, porque o sistema não responde a estas influências. O trabalho é mais profundo, e a “matéria-prima” para a cura está contida nas emoções acessadas pela mente inconsciente. Estas emoções são profundas, e ao contrário dos pensamentos, que podem ser controlados e reprimidos, ao aflorarem, as emoções sistêmicas saem como jatos de água sob pressão, deixando um profundo alívio ao cliente.

Cabe ao terapeuta estar consciente das próprias barreiras, para não impedir o processo sistêmico. Alguém que se recusa a ver ou experienciar as próprias emoções, tentará, mesmo que inconscientemente, impedir que o cliente chegue neste caminho.

Pois é justamente na não-interferência que está a solução ou destravamento dos bloqueios sistêmicos. O que causa emaranhamentos sistêmicos é a não aceitação de situações envolvendo exclusões, como quando existem traições, abortos, assassinatos, mortes súbitas, doenças degenerativas, adoções, separações, etc. Quem pode não aceitar estes fatos? É exatamente a mente racional, apoiada nos conceitos sociais que aprendeu, no certo e errado, no pecado e na virtude… Se eu acho que abandonar uma criança é um fato desprezível, quando olho que isso aconteceu no meu sistema familiar, acharei desprezível o meu sistema familiar também. Quando eu vejo a traição como abominável, estarei identificado com a dor que houve em traições do meu passado familiar. Mas estas dores só podem ser aliviadas quando deixamos de condenar, de ver o errado e se achar certo, de julgar o passado… Ao não aceitar um fato que não pode ser mudado, esta emoção impregna o sistema familiar e é transmitido às gerações posteriores, provocando a mesma emoção de rejeição e desprezo. Entender a exclusão não leva a nada, porque o entendimento é racional, mas a origem é emocional. A única forma de solucionar ou aliviar um entravamento sistêmico é a vivência emocional acompanhada de um completo não-julgamento. Quem deve fornecer essa possibilidade do “não-julgar” ao cliente é o terapeuta, afinal, ele é o responsável para que o processo tenha um bom término.

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Posted by: alexpossato | Junho 11, 2008

Adoção aos olhos da constelação familiar sistêmica

“Quando os filhos não podem ser criados por seus próprios pais, a melhor alternativa serão provavelmente os avós. Estes, em geral, se aproximam mais das crianças. Se conseguem atraí-las, quase sempre cuidam muito bem delas - e a devolução aos pais é bem mais fácil. Não havendo avós vivos, ou caso eles não possam assumir o encargo, a próxima escolha é usualmente uma tia ou um tio. A adoção é o último recurso, e só deve ser cogitada quando ninguém da família está disponível.

Segundo minha experiência com famílias, o fator crucial são as intenções dos pais adotivos. Se realmente agirem no melhor interesse da criança, a adoção terá boa possibilidade de sucesso. Contudo, pais adotivos rearamente consideram o interesse da criança, e sim o seu próprio: não podem ter filhos e se rebelam contra as limitações que a natureza lhes impôs. Implicitamente, pedem à criança que os proteja de seu desapontamento. Quando é esse o caso, o fluxo básico do dar e receber, bem como a ordem dos relacionamentos, desarranja-se logo de começo; os pais sofrerão as conseqüências de seus atos ou sofrerão os filhos.

Quando os parceiros adotam uma criança movidos por suas próprias necessidades e não pelo bem-estar dessa criança, efetivamente a tomam dos pais naturais para beneficiar-se. É o equivalente sistêmico do roubo de crianças; por isso traz conseqüências muito negativas ao sistema familiar. Na verdade, não importam os motivos que levam os pais naturais a enjeitar um bebê; os pais adotivos costumam pagar o mesmo preço. Sucede com freqüência que casais se divorciem depois de adotar uma criança por motivos impróprios. Sacrificar o parceiro é a compensação por privar os pais naturais de seu filho. Em famílias com quem trabalhei, as conseqüências de adotar filhos por razões impróprias incluíam divórcio, doença, aborto e morte. Em sua forma mais destrutiva, essa dinâmica exprimiu-se pela enfermidade ou suicídio de um filho natural do casal.

Também não é incomum que filhos adotivos detestem seus novos pais e desprezem o que recebem deles. Nessas famílias, sucede muitas vezes que os pais adotivos se sintam secretamente superiores aos pais biológicos; o filho, talvez inconscientemente, demonstra solidariedade para com os pais naturais.

Às vezes, os pais naturais entregam os filhos para adoção sem necessidade. Então os filhos sentem um legítimo ressentimento contra eles, mas os pais adotivos é que passam a ser o alvo desse ressentimento. E as coisas pioram quando os pais adotivos assumem o lugar dos pais naturais. Se os pais adotivos têm consciência de que agem em substituição aos pais verdadeiros, os sentimentos negativos se concentram nestes e os adotivos ganham o reconhecimento que merecem. Trata-se de um grande alívio tanto para os pais quanto para os filhos adotivos.

Quando os pais adotivos ou de criação agem no interesse da criança, eles têm consciência de que são meros substitutos ou representantes dos pais biológicos, a quem ajudam a realizar o que não estava a seu alcance. Eles desempenham um papel importante, mas na qualidade de pais adotivos vêm depois dos pais biológicos, não importa o que estes sejam ou tenham feito. Se essa ordem for respeitada, os filhos podem aceitar e respeitar os pais adotivos.”

Bert Hellinger, A Simetria Oculta do Amor, Ed. Cultrix, pg. 121

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Posted by: alexpossato | Junho 11, 2008

Quem faz parte do seu sistema familiar

A comunidade do destino

Pertencem a essa comunidade, onde este pensamento atua de modo nefasto, os irmãos, os pais e seus irmãos, os avós, eventualmente também algum bisavô, e todos os que cederam lugar a alguma dessas pessoas. Entre os que cederam lugar, incluem-se ex-cônjuges, ex-noivos ou ex-parceiros dos pais e dos avós, e ainda todos aqueles cujo desaparecimento ou desgraça propiciou a alguém ingressar no grupo familiar ou obter alguma outra vantagem.

Bert Hellinger, Ordens do Amor, Editora Cultrix, pg 287

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Posted by: alexpossato | Junho 11, 2008

Campos morfogenéticos

A teoria dos campos morfogenéticos pode explicar como se passa a “influência” do passado familiar para o descendente. Segundo a teoria, informações vividas por membros da mesma espécie ficam armazenadas em um campo invisível, o campo mórfico, e o conteúdo destas experiências ficam acessíveis posteriormente para membros da espécie, não importando o tempo do evento ou se houve ou não contato entre os membros. O aprendizado e a influência vem pelo campo mórfico, e não pelo convívio e contato “pessoal”.  O mundialmente famoso biólogo, Rupert Sheldrake, explica o que é o campo morfogenético:

“Na década de 20, animados por um espírito holístico, vários biólogos, trabalhando independentemente, propuseram uma nova maneira depensar a respeito da morfogênese biológica: o conceito do campo morfogenéticos, embrionários ou de desenvolvimento. Esses campos seriam semelhantes aos campos conhecidos pela física, no sentido de que corresponderiam a regiões invisíveis de influência, dotadas de propriedades inerentemente holísticas, mas constituiriam um novo tipo de campo desconhecido pela física. Estariam dentro dos organismos e em torno deles, e conteriam dentro de si mesmos uma hierarquia aninhada de campos dentro de campos - campos de órgãos, campos de tecidos, campos de células….

À semelhança das enteléquias, os campos morfogenéticos atraem os sitemas em desenvolvimento em direção aos seus fins, metas ou representações contidos dentro deles próprios. Matematicamente, os campos morfogenéticos podem ser modelados em termos de atratores encerrados dentro de bacias de atração.”

Rupert Sheldrake, O Renascimento da Natureza, Editora Cultrix, pg. 114

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Posted by: alexpossato | Junho 10, 2008

Não consigo abraçar meus filhos!

Ela era negra. Aparentava uns 45 anos de idade, estava tensa, triste, os ombros caídos e seus olhos pareciam faróis apagados. Sua fala era simples como eram simples seus gestos, seus movimentos. Parecia que ela não estava muito a vontade, naquele trabalho de constelação familiar sistêmica, mais de uma dezena de pessoas sentadas em roda, atentas aos detalhes da sua sofrida história.
- Qual é a sua questão? O que você quer trabalhar agora?
- Eu não consigo abraçar meus filhos. Eu gosto deles, eu amo eles… mas… não quero que eles se aproximem. Queria poder pegar eles no colo, mas não consigo! Isto está me deixando muito triste…
Ela realmente parecia muito sofrida. Seu marido, um europeu de dois metros de altura, olhava-a com olhar de compaixão e também tristeza. Suas roupas simples e desleixadas, seus traços fortes e de certa forma rudes, sua pele branca um pouco judiada pelo sol, deixou-me adivinhar que ele era camponês na Europa, assim como tantos que conheci na Bavária, minha terra natal.
Hoje eles moravam na periferia. Sua mulher viera da periferia. Era filha de pais alcoólatras. Seu pai a espancava quase que diariamente. Quando dava uma folga, era a vez da mãe maltratá-la. A pobreza era grande, mas isso não era o maior problema. A cliente não tivera tempo nem de ser criança, pois arcou com o cuidar dos irmãos, que de certa forma não eram vistos pelos pais. Já adulta, casara-se, mas o relacionamento não foi bom. Não havia carinho, somente trabalho, rudeza e três filhos que vieram. Mas pelo menos o marido era trabalhador, e foi no trabalho onde ele foi assassinado. Dois homens entraram para assaltar o pequeno comércio, e sem grandes explicações, atiraram no proprietário. Subitamente, a cliente se viu entregue ao mundo, com três filhos para cuidar, e ninguém para dividir a responsabilidade. Mas ela era da periferia, e como tal, forte e calejada pelo sofrimento, e por isso não se entregou. Conseguiu ir levando a vida, e agora encontrara no seu enorme europeu um marido que ela tanto esperava. E tomou consciência do quanto a vida a tornara dura e insensível, principalmente com os filhos. Ela desejava ardentemente amá-los de todas as formas, tocá-los, agarrá-los, e se angustiava por não conseguir. Então ela veio até mim.

Sua constelação foi mais ou menos típica das que faço aqui no Brasil. A história deste povo miscigenado, retirante, migrante, onde culturas se misturavam muitas vezes à força, e a miséria era muito comum, deixavam rastros de falta de afeto, de violência, de traições, de falta de maturidade para assumir famílias… E minha cliente viu desfilar diante dos seus olhos a constelação familiar, mostrando que seu pai e sua mãe também foram tragados pela dor e emoções carregadas pela exclusão. Todos excluíram e foram excluídos. A avó, branca, descendente de alemão, não se conformara que a filha (mãe da cliente), casara-se com um negro. Os netos negros, quando estavam na avó, eram colocados de lado como cachorros, enquanto as outras crianças brancas recebiam o afeto. A avó renegou a mãe e a mãe renegou a avó. Por não aceitar a própria mãe, era também uma mãe problemática, relapsa e violenta. Porém, a constelação demonstra que não existem culpas. A avó também carregava uma mala pesada dos seus pais e avós. No meio disso tudo, houve traições, abortos, medo, dor e abandono. Foi uma das constelações emocionalmente mais profundas que vi, mais pela dramaticidade das situações. E foi linda! Ao colocar a cliente em seu papel, que antes era representado por outra pessoa, vi um perdão e aceitação tão grande e espontâneo, como nunca havia visto antes.
A cliente foi até a representante da sua mãe, a megera, e caindo rios de lágrimas dos olhos a abraçou terna e profundamente. Ela perdoara do fundo da alma toda a mágoa que carregara da mãe, ao sentir que a mãe não agiu por maldade e também sofria demais. E abraçou o pai com a mesma emoção. Depois, dirigiu-se para a avó, e igualmente tomou-a em seus braços. Em constelação, sempre o filho deve tomar os pais, nunca o contrário, porque os filhos são sempre os pequenos, e os pais, não importa o que fizeram, são os grandes. Por isso, muitas vezes, esta aceitação profunda não acontece, porque os filhos se recusam a tomar os pais. E ela, sem eu falar ou induzir de nenhuma maneira, tomou a todos da sua família e os acolheu em seu seio. Os participantes não conseguiram se conter… todos choravam. Eu, como terapeuta, também tive que me conter para poder prosseguir no trabalho, mas fiquei profundamente emocionada. E a intuição me disse para colocar o marido atual dela, dentro da constelação. Ele veio, e no abraço se tornaram um só. Choraram as mesmas lágrimas, deixaram que a dor se dissolvesse nesse momento terno e mágico. Realmente foi mágico: o ar adquirira uma leveza e, poderia até dizer, um suave cheiro de flores. E algo em mim disse: coloque os três filhos. E eu coloquei representante para os filhos, porque eles não estavam presentes. E… ela os abraçou a todos, e neste instante, formou-se a família feliz e livre que ela tanto desejara.
Neste instante, reparei, para minha surpresa, que a cliente era linda, e não tinha mais que 30 anos. Sua pele negra parecia aveludada, seu corpo era muito bonito, seus traços se suavizaram e seus movimentos adquiriram fluência e graça.

Todas as famílias possuem, em sua essência, essa liberdade e felicidade. O que impede muitas vezes essa leveza de fluir, é o apego demasiado nas dores que carregamos de nós mesmos e de nosso passado, e a recusa em olhar para a dor corajosamente, e resolvê-la através da aceitação profunda. Geralmente a tendência é justificar que sofremos por isso ou por aquilo, mas isso não soluciona, apenas perpetua o sofrimento. A leveza é a aceitação incondicional e total.

Na mesma semana, o marido europeu entrou em contato e disse-me, com seu sotaque carregado: aqui em casa tudo está mudado. É incrível! Sem contarmos nada do que aconteceu para as crianças, quando chegamos do trabalho eles já estão deixando a mesa preparada, e cuidam de nós com muito carinho! Nos abraçamos a todos e estamos curtindo um momento especial. Não tenho palavras para agradecer… Ah… e marque o meu nome para a próxima constelação… também vou fazer a minha!

Theresa Spyra é alemã, facilitadora de constelação familiar, estrutural, profissional e empresarial sistêmica

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Posted by: alexpossato | Maio 28, 2008

As semelhanças nos unem

grafia chinese de "tao"Em alemão temos um provérbio semelhante a “diga-me com quem andas que direi quem és”, Geralmente não gostava dele, porque lembrava-me a minha mãe reclamando das minhas companhias, dos meus amigos, das pessoas “estranhas” que freqüentavam minha vida. Bem, depois de mais madura entendi que realmente eram estranhas, estranhas a ela, que possuía crenças e valores bem diferentes dos meus. Assim como muitas das companhias dela eram “estranhas” a mim.

Trabalhando em terapia, percebo que existem muitas semelhanças que atrai alguém a ficar com outro alguém. Às vezes estas semelhanças não são visíveis, num primeiro momento. É como a música “Eduardo e Mônica”: não existe razão às coisas feitas pelo coração… As semelhanças podem ser de comportamento, de atitude, de emoções, de ideais, etc.

O homem busca ficar entre os seus iguais, busca a sua tribo, porque ele procura segurança e ser aceito. Assim, um punk não freqüentaria um grupo de evangélicos, assim como “descolados” não andam de braços dados aos caretas. Seria o maior mico, né? Da mesma forma, se escolhemos alguém para ser nosso parceiro, é porque vemos nele semelhanças que me nos atraem, mesmo que sejam inconscientes.

Porém, quando o relacionamento começa a ficar mais sério, passamos a conviver com o fulano ou fulana, acordamos e olhamos aquela cara amassada ao seu lado, olhos inchados, cuecas e roupas jogadas pela casa, entramos num nível diferente daquele que chamamos convivência social. Pouco me importa se o meu colega de turma joga suas meias sujas sobre a pilha de roupa limpa e passada. Mas incomoda muito quando é o cara que mora comigo. Não ligo se meu primo é desorganizado e esquece de pagar as contas no vencimento. Mas se pego o telefone e ouço aquela voz automática avisando que a conta está vencida e se não pagar será cortada, aí fico uma fera!

Daí, a semelhança de pensamentos, vontades, gostos ou atitudes que me fez aproximar do sujeito vai ficando para trás, enquanto que as evidências das diferenças ficam cada vez maiores!

Perfil emocional se completa

Até agora falei de coisas externas, de comportamento, aquilo que dá para ver, através das atitudes. Vou falar um pouco agora do que se passa no interior da pessoa, no lado emocional. Noto que as pessoas que possuem um vínculo de relacionamento, e não importa se o relacionamento está dando certo ou não, possuem buscas emocionais que se completam. É a tal história: “você é a tampa da minha panela…”. Vejo, num casal, a mesma maturidade emocional, porém, com vazios que se completam. Por exemplo: uma pessoa que quer ser aceita pelos pais acaba encontrando um parceiro na mesma situação. Não importa se o passado familiar de um foi razoável e do outro não. O vazio emocional que sentimos não é provocado pelo passado, exatamente, mas pode ser realçado por ele.

Por que digo que o passado não é a causa do vazio emocional? Porque nós não somos um indivíduo que se formou a partir do nascimento, do desenvolvimento cerebral e emocional. Nós somos simplesmente uma célula de um núcleo maior, formado pela nossa família, nossos pais, avós, bisavós e por aí vai. Já trazemos características de aceitação e rejeição, dor e prazer, impressos em nosso sistema familiar, e estas informações são representadas pelas emoções mais profundas que sentimos. Conforme o estado emocional, conforme a busca que tenho, encontro alguém com o mesmo estado, com a mesma busca, somente com características diferentes.

Alguém de vocês assistiram ao antigo filme “O tesouro de Sierra Madre”? Nele, os personagens se esgoelam para ficar com a posse de um punhado de ouro, se matam, traem-se… O que acontece quando duas pessoas estão juntas, procurando a mesma coisa? Pois é, pode ser que elas se matem… ou… se unam para buscarem juntas.

No relacionamento, entender que os dois procuram a mesma coisa, e que não adianta querer “matar” o outro porque o vemos como um concorrente, que está querendo roubar aquilo que eu também quero, é fundamental para o equilíbrio e o crescimento conjunto. Por mais que possamos achar, não existe alguém mais evoluído ou menos evoluído dentro da relação. Ambos são iguais e querem a mesma coisa. A questão é que, para eu conseguir aquilo que eu quero do outro, tenho que ajudá-lo a encontrar o que ele quer. Para preencher o meu vazio emocional, tenho que ajudar o outro a preencher o vazio emocional dele. Ele se fortalecerá e, automaticamente, também estarei me fortalecendo.

Porém, ajudar o outro só é possível quando ajudamos a nós, quando preenchemos o nosso vazio e, assim, não vemos mais vazio no outro. E, por incrível que pareça, pode ser que nesse momento se perceba que a relação se esgotou, naturalmente… pode ser que se perceba que ela só se mantinha viva para que, através do atrito, ambos crescessem. Como também pode ser que ela se fortaleça, ou melhor, ressurja, como a fênix renovada das cinzas…

Quem diz que um relacionamento deve permanecer até o fim, são crenças sem fundamento… Quem diz que um relacionamento não deve permanecer até o fim, também são crenças sem fundamento…

A única coisa que pode ser feita é viver o melhor neste momento presente, e perceber e confiar em algo maior que nos reserva surpresas cada vez mais significativas, quanto mais nos entregamos a esta confiança…

Theresa Spyra é consultora e facilitadora de Constelação Familiar Sistêmica

(deixe seu comentário ou pergunta que terei prazer em responder)

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Virginia Satir desenvolveu um vasto repertório de técnicas terapêuticas. Seu trabalho estava direcionado fortemente à comunicação, na qual conduzia os membros familiares que vinham para psicoterapia ou aconselhamento a uma permuta aberta, apoiando-os nisso.

Seu trabalho se baseia nos seguintes princípios:

- A mudança é possível.
- Temos dentro de nós todos os recursos de que precisamos para um desenvolvimento e crescimento pessoais bem sucedido.
- Cada um de nós sempre age no momento oportundo tão bem quanto pode.
- Na medida em que concordamos com nosso passado, cresce também a nossa capacidade de dominar o presente.
- Os seres humanos se unem devido as suas semelhanças e crescem através das diferenças.
- Todos nós somos manifestações da mesma força vital.
- Relacionamentos humanos saudáveis baseiam-se no equilíbrio de valores.
- Quando conseguimos levantar a auto-estima do cliente, e ele pode aceitar a si mesmo e ao outro como ele é, conseguiu-se a base para uma transformação.

Quando fecho os olhos, vejo você - Ursula Franke - Editora Atman

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Posted by: alexpossato | Maio 14, 2008

O seu passado familiar pode ajudar você!

Gilberto é um profissional mais ou menos bem-sucedido na carreira. Mais ou menos bem sucedido? É, parece estranho, mas é isso mesmo. Quando ele me procurou, não foi direto ao assunto. Falou sobre sua família, o seu relacionamento, mas no fundo, o que o atormentava era a extrema ansiedade que sentia, a todo instante. Era como um ácido corroendo as entranhas, e não importava se ele estava empregado ou não, se tinha dinheiro ou não, se estava num bom cargo ou não. Sempre que estava num emprego, depois de algum tempo a ansiedade tomava conta, e ele começava a ver tudo ruim, começava a criar atrito com os superiores, ficava descontente, e já começava a sabotar o próprio emprego… Resultado: saía. Isso sempre ocorria, em todos os empregos que ele arrumava, e logicamente dá para perceber que não é possível que em todos os ambientes que ele estava aconteciam exatamente os mesmos problemas. Na verdade, um impulso maior que a razão, maior que qualquer justificativa que ele pudesse arrumar para criticar seu trabalho, o empurrava à ansiedade, ao descontentamento, à briga com a chefia, e à demissão…
Marlene é uma mulher bonita. Já próxima dos 40 anos, não aparenta mais que 30. Tem uma vida profissional estável, bom padrão de vida, mas é infeliz. Infeliz porque nenhum dos seus relacionamentos dá certo. Tudo começa bem, aquele amor, um homem carinhoso, honesto, trabalhador, educado, do jeito que ela sempre sonhou. Mas conforme a relação vai ficando mais intensa, se começam a morar juntos, logo ele modifica. O parceiro deixa de cumprir sua obrigação financeira, e Marlene tem que sustentar a duas pessoas. Pior: ela se sente responsável por ele, trata-o quase como filho, e ele se sente fraco, não raro entra em depressão…

O fato do mesmo problema se repetir várias e várias vezes, a contragosto da pessoa, pode demonstrar que existe um sistema por detrás em desequilíbrio. Nos dois casos que citei, ocorre esta repetição de padrões: o mesmo problema, ocorrendo várias e várias vezes. É como se uma mão invisível empurrasse a pessoa na mesma direção, sempre.
A constelação sistêmica demonstra que existe um comando emocional que nos influencia, invisivelmente, a tomar determinado rumo, conhecer determinadas pessoas, ter determinados comportamentos, conseguir coisas ou perder coisas. A sabedoria popular diz que é o destino. “Fulano, onde coloca a mão, vira ouro!”. “Aquela ali só casa com viciado…”. “Coitado, dele, é o terceiro carro que é roubado!”. “Nunca vi sujeito com tanta sorte!”. “Nossa, ele trabalha, trabalha, e vive sempre endividado!”. Pois é, estes tipos de situações recorrentes, que podem ser agradáveis ou não, são originadas no sistema familiar.

E é isso que desejo deixar claro. Logicamente que a maior parte dos meus clientes procuram a constelação devido a problemas. Assim, parece que o sistema familiar é pesado. Mas uma parcela considerável de clientes desejam soluções, e é claro que elas também fazem parte do sistema familiar. Por que isso?
Dentro desse sistema, existiram antepassados felizes, outros não… existiram mentiras e traições, assim como riqueza e conquistas. Havia pessoas saudáveis, outras não. Casamentos felizes, e separações traumáticas. Nascimentos e mortes. Abortos e alegrias… Tudo isso faz parte do sistema de cada um. Se a pessoa está bem com ela mesma, logicamente que está em equilíbrio com seu próprio sistema, mesmo que isso seja inconsciente. Mas se a pessoa se sente mal, não aceita a si nem à sua vida, às pessoas a sua volta, a sua capacidade, seus familiares, sua terra natal, logicamente está em desequilíbrio com o sistema familiar. Assim, se uma pessoa quer morrer, mas está absolutamente tranqüila e satisfeita com isso, está tudo bem… não há o que ser feito, sistemicamente. Se alguém se tranca em casa e vive como ermitão, e está bem com isso, também não há o que ser feito. Mesmo que alguém de fora diga que ele está sofrendo, a medida do sofrimento é pessoal, e cada um arca com o peso das suas decisões. E quanto a fobias, é realmente possível viver bem, mesmo com fobias…

O trabalho da constelação familiar é muito bonito porque mostra que não apenas o problema é sistêmico: a solução também é. Da mesma forma que as dores familiares podem nos influenciar, as alegrias e conquistas também! E esta verdade mostra que o que somos é muito mais que uma cabeça que pensa e um punhado de idéias que temos na nossa mente. A felicidade do homem não passa por aquilo que ele pensa e acredita, somente. Antes do pensamento se formar em você, a partir dos 2 ou 3 anos de idade, você já era uma arca enorme de experiências, emoções e conhecimento herdados da família de origem… mesmo que você não tenha conhecido seus parentes. Dentro dessa arca, tem vivências e emoções fabulosas, ricas, prontas para serem tomadas por você. Como o conteúdo desta arca é inconsciente, por mais inteligente e racional que você se torne, quando adulto, em nada domina e nem tem acesso a estas informações que atuam em níveis profundos. Por isso, também não consegue resolver algo ou descobrir soluções simplesmente usando o intelecto e a lógica cartesiana. A grande sabedoria vem através da experimentação, da vivência com todo o corpo, do colocar-se no lugar do outro, do anular-se o ego – nem que seja por alguns instantes, do mergulhar profundamente na sua arca familiar, olhando os problemas, dores e emoções, e também aberto para as soluções que lá estão. Com certeza, todos os problemas que você possa ter, já foram vividos e resolvidos por pessoas em seu sistema familiar. Porém, as soluções só se fazem visíveis quando o problema é visto, encarado e aceito. Neste momento, sabe o que acontece? A solução vem clara para você…

Theresa Spyra é alemã, facilitadora de constelação familiar, estrutural, profissional e empresarial sistêmica

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Posted by: alexpossato | Maio 13, 2008

Onde está a terra prometida

Certa vez estava realizando um trabalho numa comunidade da periferia de São Paulo. Conversando com uma moça, muito inteligente e esforçada, que trabalhava ajudando o pai num boteco simples, de segunda a segunda, da manhã até a noite, me deliciava com o seu sorriso, simpatia e opiniões sensatas que ela transmitia. Seu sorriso, no entanto, desapareceu quando lhe disse:

- Você parece uma pessoa muito consciente, que domina sua vida e sabe o que quer. O que você quer mais realizar?

- Sabe… – disse-me ela, séria e com o olhar para baixo. Eu quero ir embora daqui. Voltar para o Alagoas. Fazer faculdade lá e ter minha família…

Ela também estava em busca da terra prometida. É interessante como atendo muitos, mas muitos clientes mesmo que não se sentem bem onde estão. E criam em suas mentes uma idéia de que em algum lugar, em algum estado, cidade ou país, serão felizes. O mito da terra prometida consta em inúmeras culturas, e não é exclusivo da bíblia. O homem, desde o tempo das cavernas, é um ser nômade, mas o cérebro, por ser dotado biologicamente da necessidade de proteger o corpo humano, faz com que a mente procure um lugar seguro e protegido, sempre. Daí a idéia de uma terra prometida, onde tudo é bom, seguro e próspero.

A maior parte dos meus clientes são filhos, netos e bisnetos de imigrantes. O Brasil é formado por imigrantes que se uniram a outros imigrantes. Mesmo os indígenas, que também eram nômades em sua maioria, foram forçados a deixar suas terras para não serem mortos, no passado. Mesmo hoje, já recebi duas clientes que disseram que suas avós eram indígenas que foram forçadas a casar, e abandonar suas famílias, na marra. Dos negros escravos, todos sabemos como eles chegaram até aqui.

Mesmo nas últimas décadas, dentro do Brasil, nordestinos se deslocam da pobreza, sulistas vão ao centro-oeste ocupar novos espaços, pessoas do interior vão para as capitais. De alguma forma, todas estão em constante mudança, em busca da terra prometida…

O que será que este movimento nômade, que de certa forma é natural, pode provocar nos sistemas familiares? Que tipo de emoção fica impregnada na pessoa que migra e em seus descendentes? Vamos investigar? Pergunte a si mesmo: você sente a sensação de que não pertence ao lugar onde vive? Existe uma tendência sua para mudanças constantes? Você é o tipo que fixa raízes com facilidade ou não? Sente uma estranha melancolia, como se houvesse uma saudade inexplicável? E financeiramente: consegue construir uma vida financeira sólida e estável, ou apresenta altos e baixos? Pode ser que estes sejam sintomas de um sistema familiar onde existem indícios de emoções presas e mágoas originadas no deslocamento de imigrantes ou migrantes, quando estes deixaram amores esquecidos, famílias divididas, ingratidão pela pobreza da terra natal… E essa dor, muitas vezes é transmitida de geração em geração, influenciando invisivelmente alguns descendentes.

É bom saber que o impulso sistêmico também pode ser benéfico, proveitoso. Muitos descendentes de migrantes e imigrantes estão bem, ganhando dinheiro, construindo suas famílias, leves e equilibrados. Outros conseguem aceitar o impulso de mudanças constantes, vivem bem e constroem a vida dessa forma, viajando, ficando uns tempos aqui, outros ali…

Onde está a terra prometida

Sabe o que existe em comum com essas pessoas? Eles encontraram a terra prometida! Um lugar que eles sabem que é bom, e tudo o que eles fizerem, dará frutos. A terra que os acolhem como mãe, e lhes dá força de trabalho como o pai. O local onde se pode olhar para o passado familiar, todas as dificuldades que houve na vida, e aceitar. Mas, principalmente, um lugar onde a pessoa fincará sua bandeira, como os primeiros colonos norte-americanos, e dirá: aqui é o meu lugar! E construirá o presente, planejando o futuro, em honra ao passado.

Onde será que está esse lugar? Como algumas pessoas que vivem viajando, como tuaregs, podem ter encontrado a terra prometida, sem se fixarem num lugar? Bem, aí é que é a questão! Somos criados para acreditar nas coisas que podemos ver, tocar, ouvir. Buscamos a terra prometida como um lugar onde podemos pisar em cima, sentir o cheiro da terra e colocar cercas na nossa propriedade. Mas, como disse Jesus, meu reino não é deste mundo. Portanto, não é Alagoas, Estados Unidos, Itália ou Japão. A terra prometida está… onde você se encontrar com você! Isso significa encontrar com todas as suas emoções, dores, mágoas e alegrias, e disser… sim, eu aceito! Aceito você, papai, aceito você mamãe, aceito as terras de origem dos meus antepassados, e assim aceito a mim mesmo, ao meu corpo, às minhas virtudes e defeitos, minhas vitórias e frustrações. E farei, daqui para frente, uma coisa boa da minha vida! E a terra prometida abrir-se-á para você, certamente. Poderá ser onde você está, ou não, mas a certeza reinará em si mesmo.

Você carrega a sua terra prometida onde quer que vá! Se não descobri-la em si mesmo, continuará a procurar a tal felicidade num lugar que nunca aparece. Mas se descobrir e tomar posse, receberá o dom de ver seus pés pisarem o pântano, o deserto, as montanhas, as cidades, o mato, com a consciência de que, onde quer que esteja, você está pisando na terra prometida.

Theresa Spyra – facilitadora de constelação familiar sistêmica, estrutural, profissional e empresarial

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