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Disciplina… sem perder a ternura jamais

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Fato é: uma das maiores razões para alguém não alcançar o sucesso naquilo que almeja é a falta de disciplina. O inverso também é verdadeiro. Já fui taxado de indisciplinado. Na realidade, eu mesmo sempre me achei indisciplinado. Achei, não. Fui. Ou sou. Às vezes. Basta alguém falar: faça isso durante 1 hora, e eu farei por 59 minutos. Ou uma hora e dez. Mas não uma hora. Ou não farei.

Quando pequeno, me chamavam de preguiçoso, dissimulado, indolente… naquela gentil e amorosa forma de bullying, que denominavam educação infantil. Pensando agora, eu era um dos que mais trabalhava dentro de casa. Mas fazer o quê? É assim que me ensinaram. E não é que eu acreditei? Sou preguiçoso!

Lógico: criei um ódio mortal quanto às figuras de autoridade e às ordens, já que me senti muito ferido e injustiçado em relação à forma como fui disciplinado. Por que que tenho que acordar cedo para fazer lição, se quero dormir até as 10? Para que limpar este canteiro no jardim? Por que que tenho que estudar, se quero brincar ou ficar vagando com minha mente vertiginosamente fértil? Não entendi e não aceitei as imposições. Mas por outro lado, tinha que fazer, porque havia castigo. Que saco, não? Quando eu crescer, eles vão ver só!

E não é que eu cresci? Tô grande! E peludo. E subitamente, me vejo tendo que dar ordens para mim mesmo: controle suas finanças! Organize sua agenda! Corte as distrações! Cuide de seu corpo com amor! Para de beber! Receba o seu cliente! Fique com sua mulher! E assim por diante…

E da mesma forma como quando criança, me vejo obedecendo somente na pressão. Ou não obedecendo. Vou confessar uma coisa: aprendi a empreender, organizar meu tempo, planejar e executar por causa das minhas dívidas. No fundo, eu queria que tudo se resolvesse por obra e graça do Espírito Santo. Mas não funcionou. Até acender vela eu acendi. E as dívidas multiplicavam…

Foi com muita raiva que arregacei as mangas, e falei: vou acabar com estas dívidas de uma vez por todas. E comecei a estudar os 12 passos do endividado anônimo, comprei tudo quanto é livro de organização financeira, vi vídeos e palestras… e iniciei a árdua tarefa de OBEDECER o que era recomendado. Se não fosse na marra, com uma corda no pescoço, eu largaria… eu voltaria ao meu estado indolente e revoltado contra minha educação na infância… Indolente, revoltado e endividado.

Não foi fácil. Não trabalhei sorrindo nem me organizei com alegria… Tive que fazer coisas que, quando pequeno, odiava: lista de tarefas e prioridades. Controlar horários e executar. Perceber metas e verificar a qualidade da execução. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Sei lá. Fato é que eu fui ensinado direitinho. De uma forma um tanto quanto ditatorial, sanguinolenta e ensandecida, mas fui. Bastava aplicar o que papai, mamãe e meus mestres ensinaram…

Bem… dívidas pagas… aí… adivinha? Perdi a motivação. Se aprendi a fazer planejamento e execução somente na pressão, não havendo pressão, larguei mão. O barco andando, minha carreira indo tranquilamente para frente… podia me encostar num barranco… Mas a vida é sábia. Deu-me uma alma que deseja expansão. Expansão no trabalho, expansão no conhecimento, expansão no bolso, expansão na espiritualidade… Falar a verdade, não aguento barranco não. Mas também não queria ter que me esforçar para mudar.

O problema é que esta equação não bate. Se estou num lugar, até agradável, mas almejo um novo patamar, tenho que sair da zona de conforto, né? E muito cedo tive que olhar novamente para a mesma coisa: planejar e executar. Mas como planejar, se estou numa situação confortável? Meu sistema não entende “bem-estar”, “alegria e paz” junto com “ação”. Ou melhor, não entendia… pois me vi na necessidade de ressignificar minhas estratégias. Um lado mais equilibrado da minha mente louca diz: eu posso crescer em paz. Ter harmonia nas ações. Sim! Eu posso e quero!

Estou sendo convidado a ter disciplina, mas uma disciplina que não parte do meu “lado sofredor” e ameaçado por algo muito ruim… Esta disciplina parte de um lado centrado e amoroso, que diz: existe um novo lugar para você! Um novo e ótimo lugar! E você precisa se mover até lá! Com suavidade, mas também firmeza. Clareza de propósito. Amor e respeito pelo seu próprio ritmo, mas sem cair na tentação da preguiça e procrastinação…

E se eu cair? Como acabo caindo várias e várias vezes… (sou humano, sabe?) Bem… levanta, sacode a poeira… continuemos… O mapa tenho nas mãos. Por escrito! Sim, me ensinaram quando pequeno a fazer um planejamento por escrito. Vovó, a megera, torturando-me com suas ameaças terríveis e bolos de fubá sublimes. Depois, já adulto, minha ex apresentou-me ao mind map. Brilhante! Um mapa mental, visual, onde posso, num apanhado rápido, captar as coisas importantes, fundamentais para minha vida, que me inspiram. Para onde devo ir. (Quer saber qual programa de mind map eu utilizo? Uso o mindmeister.com e adoro!)

Conversando hoje com meu terapeuta Walfredo Medeiros, ele me instruiu: fique atento! A sombra está sendo afogada, e ela não quer morrer. Para o leitor que não entende este contexto, a sombra, neste caso, é o meu “eu sofredor”, que aprendeu a dureza do fazer na infância, e ou agia como um general, ou se rebelava e ia para a preguiça.

Existe um lado centrado, amoroso – dentro de mim e de qualquer um -, que quando obedeço, tenho muito prazer e ótimos resultados. Um pouco antes de ir à terapia, acordei mais cedo para meditar. Havia colocado o relógio, e nem pensei muito nisso. E tive uma experiência meditativa fantástica. Sem esforço. Sem me machucar. Sem o “tenho que meditar, caso contrário meu mestre espiritual irá me punir!”. Creia: a disciplina pode ser suave, e o caminho, prazeroso… Para muitos de nós, não há mais sentido uma vida de sofrimento e esforço, metas sem sentido e castigos se não formos bons meninos! A luta entre o general interior e o eterno rebelde sem causa pode, assim, se encerrar. Para seguirmos amparados, quem sabe, pelo sábio e a criança saudável, que residem em nós também…

Que sua vida seja suavemente disciplinada… e plena!

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

Discussão

2 comentários sobre “Disciplina… sem perder a ternura jamais

  1. Oh querido Alex … que lindo!
    Este despojamento para contar seus sofrimentos são invejáveis. Parabéns pela sua busca, sua facilidade para escrever!
    Tais

    Publicado por Tais | agosto 9, 2017, 8:12 pm

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