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Saindo da loucura do outro

loucura

 

É interessante quando nos colocamos observador dos nossos próprios pensamentos e emoções: percebemos o quanto somos influenciados pela nossa própria loucura, pelas crenças sem sentido que ainda rodam no nosso sistema interno, pelas influências da mídia, da sociedade, das religiões, da família e pessoas íntimas…

Seguramente, vivemos num mundo neurótico, e em maior ou menor grau, também somos neuróticos. Mas esse não é o problema. O grande problema é que ouvimos nossas neuroses – e a dos outros – e acreditamos nelas. Por exemplo, nossa mente diz: a Maria está precisando da minha ajuda. Coitada, está sofrendo tanto! E partimos para ajudar a Maria, que não solicitou nossa ajuda, não está sofrendo como imaginamos e até se surpreende quando aparecemos como “o salvador” em sua porta. Por extrema compaixão que a Maria tem por nós, ela finge permitir que nós “a ajudemos”… Em constelação familiar, dizemos que “o ajudado” se torna “o ajudante”.

Neste jogo, explicado muito bem por Erick Berne, o criador da Análise Transacional, que mapeia diversos jogos que podem se tornar patológicos, impomos sofrimento ao outro e também sofremos.

Tudo seria muito mais fácil se tomássemos conta dos nossos pensamentos e emoções, assim como um pai amoroso, mas rigoroso, cuida de filhos malcriados, ou de animais domésticos indóceis. É incômodo, mas estaríamos colaborando enormemente para a pacificação e harmonização da sociedade.

Da mesma forma, ao começar a cuidar da nossa loucura interior, não permitiríamos que a loucura dos outros interferisse em nós, de forma prejudicial. Quantas vezes percebo clientes ou parceiros tentando manipular meu foco, meus objetivos? Quantas vezes ouço pessoas dizendo que as mães, pai, namorados ou amigos estão invadindo drasticamente suas privacidades? Quantos comportamentos percebo de pessoas que agem insanamente, espalhando medo, conflito, correntes sem sentido, porque leram na internet, ouviram na TV ou receberam uma mensagem no whatsapp?

O que impede alguém de não entrar no jogo da loucura?

Muitos entendem o que estou falando, mas não conseguem impor os limites ao outro. Em geral, respondo que esta pessoa não consegue por limites para a própria loucura interior. Acredita que o que pensa “é real”, e que a sua loucura não é loucura, mas sanidade. Loucos são os outros! Recomendo doses regulares de meditação em silêncio. Ao menos 5 minutos diários para observar sua mente tagarela e constatar, sem sombra de dúvida: sim, minha mente é neurótica! Este é o primeiro passo. Não há o que fazer com a mente que pensa. A não ser, observá-la. Com o treino – e isso exige anos, mas muitos anos mesmo! – a mente desacelera, embora, na minha experiência ao menos, não pára a loucura. Somente fica em estado, um pouco, digamos, letárgico… E em outros momentos, acelerada novamente… mas na média, mais lenta…

Quando você começa a olhar para o jogo do próprio pensamento, e não entra nele, você começa a perceber o jogo do pensamento e emocional do outro, e também não entra mais. Você nesse momento, sabe que é um jogo! Não é verdade! Sua mãe, batendo desesperadamente na porta, dizendo que está morrendo… você sabe que é um jogo! Seu pai pedindo alucinadamente para você emprestar um dinheiro com urgência… você sabe que é um jogo! Seu namorado dizendo com ferocidade que se você sair sozinha ele vai deixa-la, você sabe que é um jogo!

Lógico! Você terá que lidar com o sentimento de culpa, de ser egoísta, ou seja lá que ideia surja em seu pensamento… ideias que foram implantadas pelos seus pais, educadores e sociedade. Ou seja, também um jogo, que lhe faz prisioneiro.

Fazia… porque neste momento, você está começando a sair do jogo.

Bem vindo ao mundo dos letárgicos! Dos “noiados”! Dos egoístas! Dos alienados!

Vou contar um segredo: a única forma verdadeira que temos para auxiliar nossos irmãos presos no jogo da loucura mental e emocional, é sair do jogo. E vagarosamente, conforme eles queiram – e te procurem para isso, auxiliá-los a sair também… Não será tão fácil! Parte de nós, e parte deles, ainda está muito comprometida com o jogo… e sentir-se-á abandonada, sozinha, inválida, se desistir da brincadeira… Vamos devagar… Conforme a gente se acostuma a olhar o mundo e as pessoas com outros olhos, podemos inclusive fingir que estamos na brincadeira. Não é necessário confrontar os outros: não coma carne! Medite sem parar! Viva a sociedade alternativa! Abaixo o consumismo! Finja que está na brincadeira… pode até ser muito divertido…

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

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