atitude de terapeuta, autoconhecimento e constelação, facilitador sistêmico, Teoria sistêmica, terapeuta sistêmico

Você está pronto para uma constelação sistêmica?

salto no abismo

 

Recebo pessoas que desejam uma mudança rápida. Ansiosas, fazem o processo terapêutico, e nem concluíram um, já estão falando de outros problemas. “Eu tenho uma lista enorme para resolver!” Agem como se o problema fosse algo malígno, que pode ser descartado, como um escremento infétido e contaminado. Querem o milagre fácil, como uma criança quer um doce, e outro, e outro… Alguns amigos facilitadores têm me dito que percebem que os clientes e a dinâmica da constelação parecem “travados”, as pessoas não entram nas emoções, não existe um fluir do trabalho.

 

Estas pessoas não agem assim por maldade. Simplesmente agem assim porque o sistema como um todo ainda não amadureceu o suficiente para que o problema possa ser deixado para trás. Eu, como terapeuta sistêmico, dou a mão ao sistema, que ainda não está pronto para fluir. Tenho a opção de não fazer a constelação, ou de fazer, permitindo que o movimento seja mínimo: apenas um milímetro…

Mas o que seria uma pessoa pronta para constelar? Como deve vir um cliente para fazer uma constelação? Realmente isso é uma questão muito difícil de generalizar. Não existe regra. Existem pessoas com diversos níveis de entendimento. Existem pessoas que não entendem nada de constelação ou outra terapia, e estão prontas. E outras que entendem tudo, explicam detalhadamente seus traumas e as razões do seu sofrimento, e não estão abertas. Existem pessoas que quase não sentem suas emoções e estão prontas. E existem pessoas que sentem tudo, choram com facilidade, caem no chão gritando de dor, vêem espíritos, entidades e fadas, gnomos e extraterrestres, canalizam mensagens… e não estão prontas. O contrário também é real: pessoas altamente mediúnicas, que estão prontas, e pessoas racionais, fechadas, que não estão…

E isso somente a sensibilidade do terapeuta é que poderá investigar. E decidir o que fazer. Mas visando facilitar um pouco, tanto para o facilitador sistêmico, como para você, que é um cliente em potencial, resolvi dividir este “estar pronto” em 5 níveis, que poderão auxiliar na abertura para o trabalho sistêmico. Investigue-se em cada um destes níveis, e perceba  como você se sente.

Mas antes de irmos aos níveis, é importante você, que deseja fazer uma constelação:

 

a) saber o que você quer trabalhar, especificamente. Qual é o problema que está afligindo você? O que você sente? Como ele está afetando a sua vida?

b) assumir a responsabilidade pelo processo. Eu consigo verdadeiramente entender que eu sou o próprio responsável por cada fato que ocorre na minha vida? E que também sou o responsável pelas mudanças que desejo? Estou predisposto a deixar de culpar e envolver outros nos meus problemas? Estou predisposto a assumir totalmente o meu poder de me conduzir diante dos fatos da vida? Estou predisposto a assumir as consequências de cada ato que pratico?

c) ter uma postura humilde em relação a si, à própria vida, ao seu passado, e ao resultado do processo. Consigo compreender que algo maior rege o meu destino, e que, apesar do meu esforço pessoal, sou muito pequeno diante do destino? Sou muito pequeno diante dos meus pais? E diante dos meus antepassados?

d) estar pronto para sentir e se abrir para as emoções, deixando a mente racional de lado. Posso permitir não entender o processo da constelação? Estou predisposto a acessar minhas sensações físicas, emocionais e energéticas? Vou permitir que o processo da constelação demore o tempo que for necessário, dando o tempo para que a cura e o aprendizado possam acontecer?

Primeiro nível de abertura: racional

 

Lembro-me de uma pessoa que, ao ver na constelação o quanto o pai era um pilantra, uma vítima que manipulava todo mundo, ficou extremamente incomodada, e pouco tempo após, parou o processo terapêutico para nunca mais voltar. Esta pessoa possuía uma crença de que o pai havia sido “muito bom”, e não suportou perceber a verdade de que ele causou muita dor e não foi verdadeiramente um bom pai.

Todos nós temos crenças. Muitas. Vivemos e fazemos nossas coisas em função das crenças que foram implantadas desde a nossa infância. Tudo aquilo que acreditamos, e defendemos com unhas e dentes, foi ensinado por alguém. Logo, aquilo que acreditamos é somente uma reprodução de “verdades emprestadas”. Aprendemos através dos nossos pais, dos responsáveis pela nossa criação, pelos professores, pelas religiões, televisão, filmes, livros, propagandas, amigos, comunidade, mestres espirituais… Tudo “verdades emprestadas”. Bastaria entender o fato de que, se você mudasse de país para nunca mais voltar, indo para um lugar muito exótico e diferente, aos poucos iria mudando suas verdades a respeito de tudo: política, religião, futebol, sexo, moralismo, certos e errados… Imagine, por brincadeira, que você mudou para um planeta, em outra galáxia, numa época bilhões de anos diferente da atual… acho que o que você sabe não teria muito valor…

 

Pergunte-se: o quanto estou aberto para perceber que todas as minhas “verdades” são transitórias? O quanto estou aberto para deixá-las?

 

Segundo nível de abertura: emocional

 

As emoções, assim como as crenças, também são padrões herdados. Emoção, a grosso modo, são reações químicas do corpo, disparadas a partir de informações que o cérebro processa, e reage. Por exemplo, se inconscientemente me sinto atacado, o meu cérebro disparará no organismo neurotransmissores que provocarão no corpo um estado de tensão, alerta, retesando músculos, deixando o coração mais ativo, a sensibilidade mais aguçada, preparando-me para me defender ou fugir. A questão é que não estou sendo atacado. Isso não é real. Por que, então, me senti atacado? Porque minha mente lembrou de alguma situação de ataque, acionada por algo que vi, ouvi, senti, percebi no meu ambiente através dos meus sentidos – mesmo que inconscientemente. Por exemplo: minha esposa diz que vai viajar, e isso detona uma sensação de raiva. Ou entrei num ambiente e meu sexto sentido percebe alguém que se sente vitimizado, e isso me deixa muito incomodado – geralmente uma pessoa que não treinou sua mente, não sabe de onde vem a sensação, acredita que é sua, e se perde nas emoções, na confusão e energia que sente.

 

Em outro exemplo, vou em busca de novos rumos para a minha vida, porém, dentro de mim existe uma informação inconsciente de que arriscar acaba em fracasso, em morte, em miséria… Às vezes esta informação vem dos pais, às vezes do passado familiar. Ou também de experiências de fracasso que você mesmo viveu. Da pobreza da infância. Ou da depressão que seu pai e mãe tiveram, por não conseguirem seus objetivos. Enfim, tanto faz de onde venham estas sensações. Podem vir da China, das vidas passadas ou de Saturno. O fato é que, naquele momento em que me proponho buscar novos projetos, não estou sendo atacado, não irei morrer de fome nem ficar pobre. Mesmo assim, a informação está dentro de mim e eu sinto as emoções difíceis me dominando. Se realmente estou querendo a cura, preciso voluntariamente me abrir para sentir as emoções que possam surgir, desta “fantasia” de ataque que minha mente emocional acredita. Raiva do inimigo? Medo da fome? Culpa pelo fracasso? Pânico e paralisia? Você verá que estas emoções não são especificamente originadas daquilo que a sua mente acredita. Estas emoções podem ser ecos de muitos lugares diferentes, ao mesmo tempo: pai, mãe, passado, infância, vidas passadas, vidas futuras, influência espiritual, demônios, ilusão, paranóia, neuroses… e saber de onde elas vêm, não resolve. É preciso deixá-las existir. Entrar em contato, ficar amigo delas. E deixar de estar identificado com elas.

 

Pergunte-se: estou aberto para olhar de frente para minhas emoções mais profundas? Estou pronto para me despedir delas?

 

Terceiro nível de abertura: sistêmico

 

Você foi ensinado que a sua mente funciona separada do mundo. Você acredita que “é você”, e que existe uma divisão entre o que você pensa, sente, capta intuitivamente, em relação às outras pessoas. Crê firmemente que o seu corpo está separado dos outros corpos. E que não existe correspondência entre você e os outros. Eu digo que isso não passa de uma crença, que se cristalizou por volta dos seus 7 anos de idade. Você foi ensinado a perceber tudo o que sente e pensa como sendo “seu”. Porém, afirmo: você sente o que sua mãe sente. O que seu pai sente. Mesmo que eles já se foram. Você sente o que as pessoas próximas sentem. Você é capaz de sentir o ambiente. De captar informações de lugares e pessoas que podem estar muito distantes, e até que já se foram. Captar sensações de acontecimentos do passado, mesmo que tenham ocorrido há milhares de anos. As informações e energia não se perdem jamais. Tudo o que ocorreu está presente, no aqui e agora. Por isso, muito do que você vive é reflexo do que foi vivido no seu sistema familiar. Tanto as coisas que lhe trazem benefícios, como as que trazem problemas, já foram vivenciados pelo seu sistema familiar. Seus pais, avós, bisavós, antepassados, passaram por milhares e milhares de situações, viveram muitas emoções, vitórias e fracassos, tragédias e situações de êxtase… E tudo isso está disponível, dentro de si. Você repete, na sua vida, coisas que já ocorreram no passado, simplesmente porque você faz parte da sua família. Você honra o seu passado, inconscientemente, e às vezes, honra através do seu próprio sofrimento. Porque você está vivenciando o sofrimento do passado, que já passou. Mas para você, não passou…

 

Pergunte-se: estou aberto para permitir a existência de todas as sensações que vêm do meu sistema, e extrapolam o meu conhecimento, a minha experiência de vida e os limites do tempo e espaço? Estou aberto para ficar em paz com mamãe? E com papai? E com meu sistema familiar? Estou aberto para deixar o meu sistema familiar descansar em paz?

 

Quarto nível de abertura: corporal e comportamental

 

O corpo está totalmente ligado à mente racional, à mente emocional e ao espírito, que falaremos mais tarde. Em cada molécula do seu corpo, existe uma programação. Em seu DNA, estão todas as experiências vividas deste o mais primitivo homem das cavernas, até as experiências de seu pai e sua mãe. A matéria pode ser definida como energia mais informação. Segundo a física, a matéria é uma estrutura densa, mas que em essência, não é realmente “sólida”. Falo estas explicações para que você entenda que o processo da mudança também envolve mudanças físicas e de atitudes.

Imagino que, se você deseja fazer uma constelação sistêmica, é porque possui um problema que deseja solucionar. Se você está atento ao que estou falando neste texto, talvez perceba que o “problema” permanece vivo porque:

a) seus pensamentos estão fornecendo crenças rígidas, inflexíveis, que impelem você a recriar o problema, outra e outra vez. Por exemplo: a vida é dura! Vou batalhar! Relacionamento é difícil! Preciso galgar a carreira! Ganhar dinheiro é suado! Não tenho direito! Não tenho capacidade. Casamento acaba em traição. Vou perder meu filho. Um dia adoecerei. O dinheiro não para na minha mão. Etc., etc.

b) suas emoções estão sendo afetadas por situações do passado, reproduzindo em si medos, raivas, agonia, sensação de abandono, rejeição, etc., que não são reais.

c) o seu sistema familiar possui inúmeros pontos de exclusão, de dores não vistas, tragédias onde o sofrimento não foi depurado, e você vivencia intensamente estas sensações que vêm de um lugar onde você não tem acesso, porque não foi vivido por você. Mas o seu inconsciente sabe, e reproduz estas sensações do sistema familiar.

 

Então, o seu DNA está impregnado de crenças, sensações, emoções, energia de diversos lugares e diversas origens. Ao se trabalhar em constelação, o seu corpo será afetado. Diversas linhas terapêuticas entendem que cada parte do corpo está relacionada com determinado aspecto emocional. A medicina chinesa, por exemplo, é totalmente baseada na inter-conexão da mente, emoções, corpo e a energia yin-yang, masculino e feminino, que circula com mais fluidez ou menos. E isso provoca sintomas, doenças, vitalidade ou falta de força, aumenta a imunidade ou diminui. Os seus hábitos alimentares, sua forma de viver, de lidar com o corpo, com a mente e as emoções, com o trabalho, com as atividades do dia-a-dia, também são influenciadas por tudo o que foi falado. Acho que isso é óbvio, não?

 

Pergunte-se: estou aberto a perceber o meu corpo como parte integrante e importante deste processo de mudança? Estou aberto para mudar hábitos, estratégias, comportamentos? Estou aberto para tomar atitudes concretas para  buscar uma vida independente, vivendo o prazer, a alegria, a paz e a prosperidade?

 

Quinto nível de abertura: espiritual

Não importa se você acredita em espírito ou não. Quando falo “espiritual”, estou dizendo que, em nível essencial, você possui todos os melhores atributos dentro de si. Todos os sucessos, vitórias, prazeres, prosperidade, saúde, dons, talentos, sabedoria que, em algum nível, e em diversos momentos foram vividos dentro do seu sistema familiar, nas milhares de gerações que houveram antes de você, existem aqui e agora. Da mesma forma como também as tragédias e dores.

Assim, quando falo em espírito, estou falando da porção de si mesmo que é capaz de se conectar com esta parte “luz” do seu passado, e deixar a parte “sombra” descansar em paz. E a parte “luz” que vê tudo o que ocorre em sua vida, neste momento, sem julgar, sem querer mudar, sem combater. É lógico que, de acordo com sua crença espiritual, você pode, desde acreditar que a sua vida começa e acaba com o seu nascimento e morte física, como também acreditar em vidas passadas, ou em vidas paralalelas, em céu e inferno, em nirvana, em ilusão, vazio, tao… Não importa qual a sua crença. O que estou dizendo é que existe dentro de você este lado pacífico, harmônico, perfeito, poderoso. Que transcende qualquer limitação.

Se você se conectar com este lado, um segundo que seja, entenderá que toda a sua vida faz sentido. Que todos os problemas da sua vida são bênçãos, que despertam o seu coração para o perdão verdadeiro. Para o acesso ao seu poder. Para o estado da compaixão absoluta. E se falo “entender”, não é com a mente racional, apenas. Quando você atinge este estado – e tenho certeza de que você já atingiu este estado diversas vezes! – você simplesmente sabe. Você é. tudo se dissolve nesta beatitude. A partir deste nível de consciência, o que você pensa não importa mais. Sua mente, suas crenças, seus pensamentos, estarão mais em harmonia. O que você sente também não importará tanto. Você deixará passar o medo, tão rápido quanto ele chegou. A raiva passará. O desejo também. A alegria. Tudo será transitório, pois tudo é transitório. E até o seu sistema familiar se tornará um sistema menor, pois você começa a ver toda a humanidade, tanto os vivos, quanto os que já foram, como o seu novo sistema familiar. E a sua relação com o seu corpo muda: ele vira um templo. Um templo provisório, que será deixado, cedo ou tarde. Que está em constante processo de envelhecimento e morte. E tudo bem. Mas que precisa ser cuidado, limpo, honrado, como um templo precisa ser. Suas ações partirão de um outro lugar. Seus hábitos serão mais saudáveis, em todos os sentidos. Você agirá para a paz, para o crescimento, para a cura, para auxiliar, para honrar a tudo e todos.

 

Pergunte-se: estou aberto para me conectar com o meu estado natural de paz, perfeição e poder? Estou aberto para viver uma vida a partir de um ponto de vista superior, deixando de estar preso às dores inevitáveis que a vida na carne traz? Estou aberto a estar em profunda harmonia interior, honrando este estado de perfeição que reside dentro de mim?

Bem, estes níveis são parâmetros, ideias para nortearmos nosso caminho. É lógico que não estamos 100% conscientes. 100% abertos. Isso não existe. A vida não é um teste de escola, onde ficamos vendo qual a nota o professor vai dar. Ou se papai ou mamãe vai aprovar nossa atitude, ou nos castigar. O que desejo com este texto, é auxiliar no processo da abertura, que pode ser mínima. 1 %. Mas já estará ok. O que importa é querer se abrir. Querer ampliar a consciência. Perceber que por mais que saibamos, nunca saberemos totalmente. E que é exatamente este processo da entrega, do não saber, do não dominar nada na vida, que às vezes abre espaço para a cura. Para a mudança. Se você crê nisso, o caminho está aberto. Mas é preciso trilhá-lo. E caminhar nele. Continuando a aprender.

 

logo alex possato 4

 

Deseja falar comigo? Dúvidas sobre constelação? Ou sobre o curso de formação? Entre em contato, e logo responderei! Namastê!

 

Anúncios

Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Se você não é usuário do Wordpress e deseja receber as atualizações deste blog, preencha o quadro abaixo com o seu email, e logo receberá uma confirmação para receber as nossas atualizações! Namastê!

Junte-se a 4.099 outros seguidores

Eventos Agendados

Nenhum evento

%d blogueiros gostam disto: