autoconhecimento e constelação

A energia por detrás da palavra dívida

dividas

A palavra dívida carrega muito mais que simplesmente algumas centenas ou milhares de reais envolvidos numa negociação. Pessoas atoladas em dívidas, em geral podem perceber que o aspecto de sentir-se devedor não é algo novo. É uma sina que a persegue, há muitos e muitos anos…

Mesmo com dinheiro em conta, mesmo que não tenha grandes prestações, a pessoa sente-se sempre devedora. Não raro, diz outra palavra carregada de energia sistêmica densa, pesada, que faz os ombros pesarem e o pescoço arquear: desculpe-me. Desculpe-me para lá, desculpe-me para cá, uma palavrinha usada de um jeito quase banal, quase como utilizamos um com licença.

Quem se sente em dívida, sente-se culpado. Invariavelmente. Não raro, percebo no sistema familiar de pessoas que possuem dívidas, a sombra de algum ato do passado onde “alguém foi enganado”, passado para trás. Mesmo que você não saiba, muita gente no seu passado familiar roubou, e muita gente foi roubada. Temos índios no nosso sistema familiar, que foram massacrados. Negros escravizados. E também pessoas que escravizaram, massacraram, usaram as mulheres como escravas sexuais. Os de origem japonesa possuem uma história de guerra e violência. Repressão extrema contra as mulheres. Os descendentes de alemães possuem todo o peso de duas guerras onde pereceram milhões de seres humanos. Pessoas foram violentadas. Judeus possuem uma história de perseguição desde o antigo testamento. E o quanto deste povo usou mal o dinheiro e o poder? Também temos dívidas em relação aos nossos filhos: quantos abandonamos? Quantas crianças foram abortadas e esquecidas em nosso sistema familiar? E quantas pereceram com pouca idade, e nunca mais foram lembradas?

Sem saber, carregamos em nosso sistema estas marcas inconscientes do nosso passado. E como somos filhos amorosos da nossa família, queremos honrar as dívidas do passado, através do nosso próprio sacrifício. Por isso que, por mais que tentemos a prosperidade, muitas vezes, quando menos percebemos, caímos novamente na dívida. Às vezes, estamos honrando alguém que passou a perna, lá atrás. Um antepassado nosso que enganava, um vigarista. E foi esquecido… e nós mesmos nos transformamos no vigarista, deixando de cumprir nossas obrigações com nossos credores. É doloroso e muito desconfortável o papel de devedor. Mas é importante entender que tudo o que ocorre em nossa vida, de certa forma, foi atraído por algo de dentro de nós. Emoções não vistas e não aceitas.

Pergunte-se: qual o sentimento vem quando você pensa na sua dívida? Seja muito honesto… Percebi, certa vez, que embora eu fizesse um movimento de pagar dívidas que possuía, havia um lado meu, muito sarcástico, que ria e pensava assim: eu não vou pagar nadinha… esse banco vai ver só! Eles são uns canalhas, uns exploradores…

Não importa o argumento que eu use para justificar as palavras que meu pensamento profere. No exemplo que estou dando, e foi real, o que eu estava dizendo é: eu não vou honrar a dívida!

Num caso assim, é importante observar: qual o sentimento vem, quando digo “o banco vai ver só”? Talvez venha raiva contra os credores… Desprezo. Nojo em relação às pessoas que têm dinheiro… Percebendo com clareza estas emoções, sentimentos, começo a destrinchar um emaranhado de emoções e energia que está envolvido na palavra “dívida”.

Ficando em paz com a energia do dinheiro

Meu pai nunca honrou suas dívidas. E também nunca honrou outros compromissos… chegou a ser processado pelos seus próprios pais, para que ele pagasse a pensão alimentícia minha e do meu irmão. E ele não pagou. Meus avós retiraram a queixa antes que ele fosse preso. A minha mãe sempre viveu de empréstimos. Forçou sua aposentadoria no funcionalismo público. Mas mesmo após aposentada, continuou trabalhando por décadas. Ou seja, passou o calote no governo. Se eles fizeram isso, não é porque eram más pessoas. Não são. Simplesmente, eles também estavam honrando algum excluído credor ou devedor, do nosso passado familiar. Eu não tenho acesso às histórias anteriores, mas tenho certeza que houve grandes trapaças no passado. Tenho quase certeza que meu avô materno foi prejudicado na herança familiar, pelos seus irmãos. E por aí vai… muita história, e na verdade, isso não tem a menor importância.

O que importa é que eu acessei um ódio contra os credores. E para que eu pudesse “honrar o ódio”, tinha ficar endividado. Assim, teria um credor pra odiar. Simples,não é mesmo?

Aprendi, nas minhas andanças espirituais, que a energia do dinheiro é algo neutro, e para que possamos usufruir da prosperidade financeira, é importante saber honrar os contratos. Se eu devo 10, devo pagar 10. Se eu empresto 10, devo receber 10. É pau, pau, pedra, pedra. Honrar um acordo não é algo pesado. Ou não deveria ser. É uma atitude de homem. Uma atitude poderosa. Somente dois guerreiros, que reconhecem o seu poder, podem ficar frente a frente: ninguém perde. Para poder estar em paz com a energia do dinheiro, é necessário ser este guerreiro. E para ser este guerreiro, é preciso treinar honrar os contratos. Pagar cada centavo. Cumprir a palavra a risca.

Eu não tinha esta firmeza. Queria ganhar, e não queria pagar. A vida foi me ensinando que não era assim. Fui me lapidando. Na verdade, estou me lapidando. Na realidade, é muito gostoso sentir o poder de ser guerreiro. E poder olhar outro guerreiro poderoso nos olhos. Sem querer fugir. Nem querer esfaqueá-lo pelas costas. Como deve ter ocorrido… e muito… no meu passado familiar. Eu honro a todos os lados: os que ganharam. E os que perderam. Os que enganaram e os que foram enganados. Mas faço o meu caminho. Do meu jeito. E o meu caminho aponta para frente, não para trás.

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

Discussão

4 comentários sobre “A energia por detrás da palavra dívida

  1. Onde vc atende ? Como podemos honrar essas pessoas do nosso passado?

    Publicado por rita | dezembro 7, 2016, 11:21 pm
  2. Alex boa noite!!! Sua explicação foi excepcional, gratidão.

    Publicado por Raquel | maio 23, 2017, 1:21 am

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