atitude de terapeuta, autoconhecimento e constelação, Causas emocionais das doenças

O primeiro passo para aliviar o sofrimento dos outros

aliviar o sofrimento

Entendo que você sofre quando vê um ente querido sofrendo. E são tantos sofrimentos, não é mesmo? Problemas financeiros, crises de relacionamentos, fobias e medos, doenças… A primeira tentação de quem deseja ajudar é tirar a pessoa do problema. Se é falta de dinheiro, tenho que dar um jeito dele ter dinheiro, seja emprestando, fornecendo um trabalho, dando dicas, ou emprestando livros sobre prosperidade, levando-o ao culto dos empreendedores… Se é doença, procurando especialistas, curandeiros, espiritualistas, médicos, indicamos chás  e ervas… Se é problema de relacionamento, damos sempre a orientação sobre como se relacionar bem, ou buscamos um melhor perfil de namorado para aquele que está no problema… Se são questões emocionais, falamos de terapias, psicólogos, livros de auto-ajuda ou espiritualidade, levamos no terreiro, no centro, sei lá…

Tentamos de tudo para afastar a pessoa do problema que a aflige. Como se isso fosse possível!

Afastar alguém do seu problema é o mesmo que condená-la à doença

Eu já fiz muito disso. Tinha um estoque completo de soluções para os sofrimentos dos outros. Engraçado: não tinha as soluções para os meus próprios problemas, que no fundo, eram os mesmos que eu queria curar nos outros – relacionamento inconstante, finanças flutuantes, crises emocionais, sensação de vazio interior… E é lógico: quando alguém pára na minha frente com o problema que eu, mesmo que inconscientemente, sei que tenho, a tentação é afastá-lo para bem longe de mim! E a melhor forma de afastar o outro que está me provocando, mas de uma forma aparentemente polida e cristã, é tentando curá-lo do problema que ele demonstra e… está me provocando muito! Que arrogante, não é? Pois é, eu era assim, e as vezes ainda dou minhas escorregadas…

Porém, os anos me ensinaram que isso não funciona. Meu caminho espiritual e também meu trabalho como terapeuta familiar sistêmico me demonstrou que tudo o que vejo de ruim fora, é porque existe algo dentro de mim que não aceita este “ruim”. Existe exclusão no meu sistema. Eu afasto o que me incomoda. E isso é desamor puro. E tudo bem que existe desamor dentro de mim, afinal, sou humano. Eu não atiro a primeira pedra…

Deixar que aquilo que me incomoda faça parte

Vou dar um exemplo bem prático. Meu filho adotivo demonstra muitos momentos de inatividade, preguiça, falta de iniciativa. Já é jovem, e eu cobro dinamismo, atitude, coragem. Fico muitas vezes totalmente alterado com ele. Olhando com um olhar superficial, eu tenho razão, afinal, ele realmente deveria estar fazendo muito mais do que faz. Inclusive dentro de casa, já que eu sou uma pessoa ativa e que busca cobrir todas as necessidades do lar e dos filhos… Moro sozinho… e eu dou o exemplo! Como ele não faz? Bem… depois de alguns chiliques que tive, resolvi olhar de uma forma mais espiritual para a questão. O que realmente me incomoda nele? A inatividade. E aí, me fiz a pergunta crucial:

– onde estou sendo inativo neste momento? Especificamente, em que área da minha vida estou deixando de fazer aquilo que sei que devo fazer?

Bem… a resposta me caiu como uma bomba! Sim, estou me cobrando exatamente neste instante mudanças de postura que devo (e vou!) tomar, dando um novo rumo à minha vida profissional e pessoal. E estou postergando várias ações que já programei. Estou sendo preguiçoso. Estou deixando coisas prioritárias para fazer coisas secundárias. Estou sendo… igualzinho ao meu filho.

E como se lida, sob os olhos de um terapeuta sistêmico, com esta situação? Com amor. Eu falo, em primeiro lugar, com doçura e sinceridade: tudo bem!!! Tudo bem, não estou fazendo o que devo fazer. A preguiça faz parte. A inatividade faz parte. A falta de foco faz parte. O desvio de prioridades faz parte. Eu permito sinceramente que, dentro de mim, exista esta parte meio “devagar, inconstante”. Sim, você faz parte. Você existe – porque existe mesmo, não é isso?! E ao permitir que ela exista, eu ganho muita, muita, muita energia mesmo. Sabe por que? A luta de MMA entre o preguiçoso x o fazedor deixa de existir. Eu continuo sabendo o que quero, mantenho o meu foco, mas agora sei também (pela primeira vez!) que existe uma parte, dentro de mim, que estava lutando contra o que eu quero. E eu dei voz a esta parte. Agora conheço os dois lados do conflito, e posso administrar minha vida, minhas ações – respeitando os dois lados, afinal, são dois lados de mim mesmo. E, por outro lado, posso entender plenamente meu filho. Posso ter compaixão por ele, entender a dificuldade que ele passa, porque é a mesma que a minha. E posso tomar atitudes baseadas no amor, no crescimento, no apoio, ao invés de combater, combater e combater.

É assim que podemos aliviar o sofrimento dos outros. Descobrindo, dentro de si, a ferida que o sofrimento do outro provoca internamente, e permitindo que isso exista. Dando um lugar, amorosamente. E a partir disso, você está pronto para compartilhar o sofrimento do outro, sem se deixar abalar emocionalmente. Você terá compaixão pelo outro. E, se for possível tomar alguma atitude concreta, tomará. E se não for possível, a compaixão e o compartilhar o sofrimento já é mais que suficiente.

Alex Possato é terapeuta familiar sistêmico

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

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