Geral, origens da constelação familiar, Pensamento Sistêmico, Teoria sistêmica

O desenvolvimento das constelações

O trabalho de constelações segundo Bert Hellinger é uma forma de terapia breve, orientada pelas soluções. Traz à luz, de forma rápida e precisa, as dinâmicas que ligar o cliente de uma forma disfuncional ao seu sistema de referência, que o limitam em suas possibilidades de ação e desenvolvimento pessoal, impedindo-o de estruturar a sua vida de uma forma positiva. No método das constelações são incluídas experiências, técnicas e formas de procedimento de outras abordagens e escolas de psicoterapia, por exemplo, a hipnose, a terapia comportamental, a terapia gestalt e a terapia sistêmica.

As constelações foram construídas sobre os conhecimentos de precursores como Jakob Moreno, Ivan Boszormenyi-Nagy e Virginia Satir. Farei uma breve introdução nessas três abordagens terapêuticas importantes, para tornar compreensível como as constelações utilizam, seguindo a tradição da psicoterapia, as imagens espaciais, a representação espacial e as perspectivas de mais gerações.

O psiquiatra Jakob Moreno foi o pioneiro na terapia sistêmica dramatizada. Nos anos 30, começou a brincar de teatro de improvisação com seus clientes e denominou a sua abordagem de psicodrama. Dessa forma, introduziu uma idéia totalmente nova de terapia e contrapôs essa encenação, uma espécie de teatro, ao contexto individual comum, estático, da psicanálise daquela época. Moreno trazia espectadores que logo se tornavam participantes do jogo e, assim, colocava os problemas e sofrimentos dos pacientes num espaço público, no qual o potencial criativo de todos os presentes se desenvolvia. Seu interesse não estava mais direcionado somente às pesquisas do passado, mas conduzia a atenção do cliente para as suas ações e interações com outros no presente.

Moreno construiu palcos, nos quais tudo podia ser interpretado: dramas internos, sonhos, fantasias e a realidade. Os requisitos permitiam uma reprodução o mais próxima possível da realidade de contextos da vida. Através da liberdade da apresentação e a criatividade de todos os participantes, procurava penetrar em níveis que não estavam abertos a seus clientes em suas vidas cotidianas.

O psicodrama segue o objetivo de estimular as pessoas a desenvolverem alternativas de ação em situações difíceis. Como método terapêutico cria um espaço, no qual o cliente pode experimentar novas formas de comportamento em relação ao seu âmbito social, desenvolver suas espontaneidade e testar seus medos e receios perante a realidade. Os jogos de papéis facilitam e possibilitam mudanças de comportamento.

Nos primórdios dos anos 70, Ivan Boszormenyi-Nagy descreveu estruturas de relacionamento que ultrapassavam as abordagens psicológica, individual e transacional. Desvia essas estruturas dos acontecimentos que se repetem regularmente quase como leis nas histórias familiares que observou, pesquisando milhares de famílias em seu consultório clínico psiquiátrico. Isso o levou a concluir que os relacionamentos, na sua profundeza, são determinados por uma dinâmica ética existencial.

Uma vez que a estrutura do efeito não pode ser reconhecida externamente, ele a descreveu como “vínculos invisíveis”. É também esse o título de seu primeiro livro (Boszormenyi-Nagy e Spark, alemão – 1981). Seguindo suas experiências, essas lealdades invisíveis atuam mais fortemente do que as ações que podem ser observadas ou padrões aprendidos que podem ser presumidos através da informação biográfica.

Boszormenyi-Nagy acentua o equilíbrio entre o dar e o receber, onde fica visível a forte influência da filosofia de Martin Buber (vide Buber – 1923). Como elemento essencial em relacionamentos, Boszormenyi-Nagy descreve uma ética implícita que exige justiça e equilíbrio através das gerações e delineia um modelo de contas pessoais de merecimento e culpa sobre a qual vela um imaginário tribunal de clã. Portanto, é necessário que em relacionamentos domine um equilíbrio entre os benefícios recebidos e dados. O peso está mais no futuro e nas gerações futuras do que no equilíbrio no passado, com as gerações anteriores. Na medida em que a pessoa dá algo, adquire o merecimento no sistema e com isso também um direito de receber algo. Também a culpa não compensada é transmitida aos descendentes. “A terapia contextual” de Boszormenyi-Nagy com indivíduos, casais e famílias serve, sobretudo, a este equilíbrio das contas psíquicas internas (Between Give and Take, Boszormenyi-Nagy e Krasner – 1986).

Virginia Satir desenvolveu um vasto repertório de técnicas terapêuticas. Seu trabalho estava direcionado fortemente à comunicação, na qual conduziu os membros familiares que vinham para psicoterapia ou aconselhamento a uma permuta aberta, apoiando-os nisso.

Seu trabalho se baseia nos seguintes princípios fundamentais:

– a mudança é possível.
– temos dentro de nós todos os recursos de que precisamos para um desenvolvimento e crescimento pessoais bem sucedido.
– cada um de nós sempre age no momento oportuno tão bem quanto pode.
– na medida em que concordamos com nosso passado, cresce também a nossa capacidade de dominar o presente.
– os seres humanos se unem devido as suas semelhanças e crescem através de suas diferenças.
– todos nós somos manifestações da mesma força vital.
– relacionamentos humanos saudáveis baseiam-se no equilíbrio de valores.
– quando conseguimos levantar a auto-estima do cliente, e ele pode aceitar a si mesmo e ao outro como ele é, conseguiu-se a base para uma transformação.

Segundo a metáfora do iceberg de Satir, só podemos ver o cume do comportamento do cliente. Contudo, isso depende das posturas, percepções, sentimentos, expectativas e anseios na base de um “eu”.

Satir denominou também de “técnica da família simulada” a escultura familiar desenvolvida por ela. Neste método, os membros familiares são colocados a fim de tornar clara a estrutura familiar através de uma representação espacial dos relacionamentos. Os papéis são assumidos pelos próprios membros familiares ou participantes do workshop, e cada membro familiar mostra sua imagem da família. Fica visível para todos como as formas de comunicação e regras familiares são vividas de formas diferentes por cada um deles.

Satir utilizava esse trabalho de escultura principalmente no contexto de sua reconstrução familiar, como ela descrevia o conflito intenso do cliente com a história de sua família de origem. O cliente trazia para o workshop as imagens e a árvore genealógica com a descrição dos relacionamentos e todos os detalhes vivenciáveis da vida dos membros familiares. Frequentemente, em reconstruções que duravam dias inteiros, as redes dos relacionamentos e a ligação social dos membros familiares eram pesquisadas e representadas, e partes faltantes da biografia e a história familiar podiam ser complementadas.

Ursula Franke – Quando fecho os olhos, vejo você, Editora Atman

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

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