Relacionamento de casal

Crise no relacionamento: dá para consertar?

Quando as brigas começam, sobram tiros e farpas para todos os lados. A parceira cobra mais atenção, ser vista pelo homem, ser cuidada com carinho e respeito. O homem desfere a frase típica: preciso de liberdade, não agüento tanta pressão. A mulher não entende, afinal, o que ela quer é simplesmente ser ouvida.

Mas… quem disse que o homem quer ouvir? No máximo, ele tenta dar uma solução rápida à frase da companheira, tentando se desvencilhar da questão. Muitas vezes as mulheres falam algo para iniciar um diálogo, comentar algo ou desabafar… não para obter uma solução. O homem, por não querer entrar em diálogo onde tenha que se expor, tenta finalizar o mais rápido possível a conversa, dando uma resposta que fecha todo o assunto.

É lógico que isto que estou dizendo é só um exemplo genérico. Existem comportamentos e comportamentos variáveis, entre parceiros, dentro de uma relação. Mas o que acarreta o desgaste da relação, verdadeiramente?

É preciso conhecer as emoções próprias, para conhecer o outro

Todas as pessoas são comandadas pelas próprias emoções. É devido a estas emoções que tomamos atitudes e depois, damos justificativas para elas. Por exemplo: se dentro de mim existe a emoção de sentir-me acuado, desde criança, quando sou cobrado por minha esposa, posso perfeitamente tomar a atitude de sair de casa constantemente, para ir beber com os amigos, jogar bola ou sabe lá mais o que. E qual justificativa eu dou para isto? Ah, a minha mulher é um “pé-no-saco”. Isso não é verdade, pois saio de casa porque sinto um peso dentro de mim, e qualquer cobrança, seja da mulher, do chefe ou do filho, me irrita profundamente.

Se, por outro lado, a mulher tem a emoção de insegurança e de buscar se sentir protegida, ela pode perfeitamente não perceber que o marido necessita ser acolhido, e joga sobre ele a responsabilidade por acolhê-la. E ela justifica: você é insensível. Isso não é verdade, pois ela cobra o homem não pelo que ele deixa de fazer, mas sim, porque dentro de si sente um vazio, uma necessidade de carinho.

Mais uma vez, peço que o leitor tome o exemplo acima, somente como exemplo. Existem milhões de homens que sentem necessidade emocional de ser acalantado. E existem milhões de mulheres que sentem a necessidade de liberdade.

Mas uma coisa é fato: os relacionamentos se estragam por falta de diálogo verdadeiro. Parece que algum mistério do universo coloca, frente a frente, duas pessoas com necessidades emocionais que necessitam ser vistas. E ambos tem o dom de se ajustarem, quando cada um, é sincero com suas próprias emoções e deixa isso claro.

Mas cá entre nós: quem é que consegue olhar no olho do outro e dizer:

– sabe. Eu sinto uma necessidade de ser acariciado, e sinto que você não gosta de muito contato. Sinto-me desprotegido.

É mais fácil dizer: você não liga para mim! É mais fácil acusar o outro. O que não nos tocamos é que, na verdade, a emoção já estava em nós, antes de conhecermos o parceiro. A necessidade de ser acolhido já existia, e segundo a constelação familiar sistêmica, é até herdada dos nossos ancestrais. Nascemos com esta dor emocional. E somos ensinados a culpar alguém por ela. Em princípio, o pai ou a mãe. Depois, o marido ou a esposa. As vezes, culpamos um fato traumático: sou assim porque fui molestado… Ou: fiquei assim porque me deixavam preso, em casa, quando criança…

Mas vamos ser bem pragmáticos. Se um relacionamento está passando por turbulência, e a pessoa realmente quer uma solução, doa a quem doer, são importantes algumas atitudes corajosas, porém, efetivas:

1 – assuma a sua parte. Se você solucionar a sua parte e o outro não, você estará pronto para encontrar alguém melhor;

2 – investigue em si mesmo quais são as emoções que conduzem suas atitudes. Se você procura alguém que o sustente, estará provocando uma relação de dependência. Se você busca alguém que o complete, estará provocando o mesmo. Se busca alguém que o sirva ou obedeça, provocará uma relação desequilibrada;

3 – você é inteiro. Mesmo que as emoções digam que não, dentro de si já existe tudo o que você necessita para ser feliz. Um bom relacionamento se faz com outro alguém que se percebe igualmente íntegro, completo. Dois seres íntegros podem curtir a vida. Dois seres que buscam se completar, sugam-se mutuamente;

4 – busque esta “inteireza” passo a passo. Lógico que, no começo, é difícil aceitar e acreditar na sua plenitude. Mas é o único caminho. Não busque mudar o outro, nem fazê-lo melhorar. Isso não cabe a você;

5 – não faça nada pelo outro. Faça somente por si. Quando você se ama, realmente, e muda as atitudes mostrando o amor por si mesmo, quem está ao seu lado recebe os benefícios;

6 – observe as palavras do outro e não julgue. Observe as atitudes do outro e não julgue. Perceba o que as emoções que estão por detrás do outro estão dizendo. Você vai me perguntar: como se faz isso? A resposta é simples: quanto mais você olhar para as próprias emoções e aceitá-las, também aceitará a do outro. Olhar para a dor com olhos complacentes, isentos de crítica, tem o dom de curar a dor. Mas se não consegue olhar para a própria emoção de uma forma isenta, não conseguirá olhar para a do outro. E sabe de uma coisa? Se você perceber somente isso, que não consegue olhar para a emoção e para a dor, já está muito bom! Significa que as emoções, que até agora comandavam seu relacionamento de forma inconsciente, agora estão sendo vistas. Somente isso já tem o dom de provocar um ajuste, um início de mudança.

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

Discussão

7 comentários sobre “Crise no relacionamento: dá para consertar?

  1. Olá!
    Adorei o texto e gostaria de ler mais sobre esse tema, pois venho me fazendo essa pergunta. Meu casamento entrou em crise após o segundo ano de nascida da nossa filha e sete anos de casamento. Sempre conversamos bastante, falavamos de tudo, claro que eu é que puxava, pois ele não tinha habito de se abrir. Minha dúvida, ainda, é: Toda crise resulta em separação? e Será que após uma separação, por crise, é possível uma reconciliação?
    Desde já agradeço se tiverem algo mais sobre esse assunto e possam partilhar conosco, pois hoje em dia fala-se mto em crise, em separação, em novos relacionamentos, mas pouco se fala em reconciliação.
    Atenciosamente,
    Josi Santana

    Publicado por Josi Santana | março 17, 2009, 12:47 am
  2. obrigada!
    vcs me ajudaram muito, e quero mais, se possível.
    estou em crise no namoro de cinco anos; com planos de casar, mas estou em crise comigo mesmo.

    Publicado por janaina | janeiro 11, 2011, 2:57 pm
  3. Sou homossexual, conheci meu (ou ex) namorado num site pornografico, depois de dois dias ja estava apaixonado por ele , ele eh realmente muito lindo. Como sou ciumento, naum pude aceitar que ele estivesse comigo em um relacionamento a distancia e ainda ficasse no site. Ele saiu, mas durante todo este ano que passou tive de sustenta-lo com tudo. Tivemos 10 dias juntos num hotel na praia e ele fez questao de levar 2 amigos, tudo as minha custas, alem disso nessas 10 noites so me deu sexo 1 vez e durante toda a estadia eu naum fui o centro das atençoes como ele me havia prometido. Assim mesmo, sofrendo, continuei com este relacionamento a distancia. Tivemos varias brigas e esta semana nos separamos, mas ainda falamos por telefone e naum sei se ainda ha esperança para nos dois. Na verdade eu ainda o amo muito, mas sera que algum dia ele me amou?

    Publicado por Luiz | abril 17, 2012, 8:32 pm
    • Olá, Luiz! Aquilo que dizemos que é “amor” que buscamos no parceiro, muitas vezes é uma dor vinda do passado, que se encontra inconsciente, e que desejamos que o “outro” alivie. Esta dor é fortemente impregnada na infância, quando vivemos choques de exclusão, negação, descaso do pai e da mãe. As vezes ocorrem violências, mas não necessariamente necessite violência ou maus tratos profundos… A mente da criança é totalmente aberta, e ela espera receber todo o amor, amparo e proteção do papai e da mamãe, e não recebe… isso fica no inconsciente, e depois é esquecido. Mas buscamos, após adultos, sanar esta dor através dos relacionamentos e outros tipos de busca de prazer. Mas enquanto não for investigada esta dor original, este vazio que sentimos, sempre iremos recriar situações que nos incomodarão exatamente neste ponto: seremos toda hora lembrados que não fomos amados, queridos e protegidos. Além disso, que é uma explicação da psicologia a partir do nascimento, nós somos seres identificados com “outras exclusões” que ocorreram no nosso sistema familiar. Isso é o que mostra a constelação sistêmica familiar. Pessoas que foram esquecidas, abandonadas, ou fatos que foram esquecidos… coisas que ocorreram antes do papai e da mamãe fazem parte do seu sistema. Você é o que seu pai e sua mãe são e também o que os antepassados são. A solução para o que você me diz é a inclusão… lenta, gradual, de tudo o que seu pai é, e de tudo o que sua mãe é… além de todo o seu sistema familiar. Dentro de si. É um trabalho interno, que atinge suas crenças e suas emoções. Por isso, não é só um trabalho com a cabeça. Em algum momento, você olhará para trás e poderá sentir paz, mesmo reconhecendo tudo o que foi difícil e doloroso na relação familiar. Sem isso, não é possível ter um relacionamento saudável. Manter-se íntegro diante do parceiro. Saber se colocar, sem depender emocionalmente do outro. Compartilhar seus dons, seus talentos, seu amor, de forma tranquila e equilibrada. Aprendendo a dizer sim e dizer não. Você estará bem consigo mesmo. O outro é só um acréscimo, não uma necessidade.

      Publicado por alexpossato | abril 19, 2012, 2:49 pm
  4. Por que amamos as pessoas mais complicadas e acabamos ficando pior?
    Eu e meu namorado estamos juntos a um ano e pouquinho, mas desde quando ele ficava conversando com outras mulheres pela internet ou mensagens no celular, convidando elas pra assistir filminho com ele, por que ele estava sozinho, ou chamando elas pra cineminha, enquanto eu sempre fiquei na minha sempre esperando por ele, e pelas costas ele estava aprontando comigo, nunca tive uma prova real de que ele foi a algum encontro, já quase terminamos, mas o que mais pesa hoje em dia, é que depois de tudo isso, fiquei mais amiga de um grande amigo meu, que apenas estendeu a mão, nada de mais, apenas me aconselhou sobre o que fazer, como conversar ou falar, era um amigo e tanto, mas desta vez ele ficou morrendo de ciumes, e simplesmente me fez perder total contato com ele, brigamos mais uma vez, e desde então nossas brigas são constantes, eu fiquei muito insegura com ele, até comecei a mexer nas redes sociais dele, e lá veio mais uma mancada, eu não confio no amigo dele, pois os dois diziam no msn que queriam bater uma pra foto de uma garota, eu lendo aquilo, meu coração desmanchou, como eu amo alguém que só me deu muitas mancadas, namoramos a distancia, sofro com isso, pois fico com medo de que ele me deixe, dei muitos presentes e não foram poucos, mas preciso de um homem do meu lado, conversamos muito, somos até muito sinceros, aprendi a mostrar pra ele tudo o que me faz de errado, ele mudou, largou facebook, orkut, e em partes msn, pois ainda conversa com alguns amigos homens, não sei o que houve, mas ele perdeu boa parte do amigos do msn, a internet na verdade ficou muito chata depois de tudo isso, eu nunca fui ciumenta, depois de tudo o que aconteceu, eu sou alguém que não me reconheço, qualquer coisa é motivo de exibição, ou motivo de medo.
    Preciso de ajuda, como conversar com ele? como posso voltara ser como era antes?
    Ele passa todos os finais de semanas comigo, ele também havia mudado tanto, e hoje ele parece estar melhor, mas quem ficou no tempo foi eu, as vezes preciso dele ,um pouco de atenção, um pouco de carinho, as vezes me sinto muito chata, muito exigente, mas se por na balança tudo que passei, eu choro dias e noites. Não quero mais sofrer, me ajuda por favor.

    Publicado por Karina Bastos | maio 2, 2012, 7:16 pm
    • Oi, Karina! A constelação familiar mostra que nossos relacionamentos estão impregnados de emoções e situações vividas pelos nossos pais, avós e também antepassados. Através do namorado, marido ou esposa, reeditamos exclusões e fatos escondidos do passado… o intuito do sistema familiar é que tudo aquilo que está escondido, rejeitado, excluído (dentro do nosso sistema), seja visto. Perceba como foi (ou é) o casamento dos seus pais… veja se não há coincidências entre o que ocorreu com eles e o que está ocorrendo com você… Ou talvez coincidências na geração dos seus avós…
      Traições, desajustes, dores e todo o tipo de sofrimento ocorrem para mostrar que algo no nosso sistema está clamando por ser visto. Quando nos abrimos para isso, muitas vezes as dores desaparecem, ou melhoram muito… Você em si não tem culpa da relação não estar boa. Porém, as coisas que acontecem na sua vida – não somente as relações, tem muito a ver com o seu aprendizado interno. Tudo mostra coisas que você necessita incluir em si. Relação não é pra dar certo, até que a morte os separe. Isso é idéia vendida pela midia, pela igreja, enfim, não tem realidade. Relações é aprendizado. Quando se aprende o que devemos aprender, ou a relação fica livre, sem culpa, cada um pode fazer o que quiser (porque o amor é livre), ou há uma separação natural… É o que posso falar, neste momento… Desejo muita paz.

      Publicado por alexpossato | maio 5, 2012, 10:45 am

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