O que estou adorando no altar?
O que é o sagrado dentro de mim?

Prembaba, guru de Theresia
O altar às vezes parece que é para um Deus, Cristo… seja o que for, mas o fora só existe para lembrar o sagrado que existe dentro de cada um de nós. Na verdade, o que eu estou adorando, para quem eu estou orando, não é um Deus externo. A gente aprendeu assim, não é? Que Deus está no céu, tem barba… Meu Deus até tem barba (risos, quanto Theresa olha para a imagem do seu guru).
E tem forma… mas tudo bem. É só para enganar. É um lembrete. Um lembrete do divino que está dentro de cada um de nós. Mas se eu acho que o divino está fora, estou procurando algo fora de mim, e até estou achando que tem um Deus que julga, que condena pro inferno (risos), onde eu posso ser queimado pela eternidade (risos)… a gente não tem a idéia de quanto pode ser a eternidade.
E a gente teme o inferno, e tenta fazer tudo certo para não ir para o inferno, e não percebemos que já estamos no inferno (risos). Já estamos… estamos no inferno enquanto estamos separados de nós mesmos. Estamos procurando o bem fora de nós. Estamos procurando o divino fora de nós. Então, o altar é para a conexão do divino dentro de si mesmo.
Pelo menos esta é a minha percepção. Eu estou um pouquinho conectada com a Índia, e na Índia tem inúmeras divindades. Tem uma para cada um! Pode escolher (risos) a que mais agrada, com qual a pessoa tem mais afinidade. Aí tem cerimônias, oferendas, tem inúmeras coisas. Mas mesmo na Índia, que tem tantas divindades, muitos percebem o Deus fora, mas o Deus não está fora. É só uma imagem para a gente se conectar melhor.
Então, o que é sagrado? Pode ser uma chama, pode ser uma pedra, pode ser uma planta, pode ser a imagem de um santo, com o que eu me conecto. E se eu me conecto com algo de fora que eu acho que é sagrado, eu conecto com o meu sagrado. Nós construímos templos para lembrar que o templo está dentro de nós.
E nesta dimensão, onde o nosso corpo é a nossa casa, é o nosso templo também! E o que eu acho dessa minha casa? Como me relaciono com ele? O nariz está grande demais, tem que cortar. Ahhhh, falta peito, tem que colocar… tem demais, vamos tirar…
Cadê o sagrado? O sagrado está em tudo, na verdade. Só precisa abrir os olhos para enxergar.
Fica mais fácil quando olhamos para a natureza. Natureza é amor puro. Abundância. Tem aqui um pé de amora, delícia… amora deste tamanho! Um pé… e quanta amora! Deus é abundância. Olha como a natureza está feita. Cada planta traz inúmeras sementes. Nem pode plantar todas, sobra pra comer…. (risos).
E aí nós achamos o quê? Que falta. Falta algo. Essa é a nossa separação do divino, a nossa separação da abundância. Quanto mais estamos conectados com a natureza, e podemos ver as pessoas que vivem com a natureza, tem amor por isso, eles têm muita conexão com o sagrado, porque observam. Quem gosta (da natureza) percebe as plantas falarem, percebe o som do milho, do cafezal, a vida que tem atrás, que se comunica com a gente o tempo todo.
Mas aqui na cidade, a gente não pára pra ouvir. Deixaram muito pouca natureza aqui em São Paulo. É difícil. É realmente difícil. Natureza lembra a mãe, a origem, e foi cortada daqui. Nós estamos realmente carentes desta conexão, e daí temos a necessidade de buscar esta conexão de outra forma. E cada um deve fazer isso da sua forma, se conectar consigo mesmo. Nós todos viemos da terra, nós só estamos aqui por causa da terra. A gente tenta negar isso: comprar comida em papel celofane, em fast food, parece que não vem mais da mãe terra, mas tudo o que nós ingerimos vem da mãe terra. E quanto mais artificialmente eu me alimento, mais eu quero ter distância da minha origem, da minha mãe, da minha natureza humana, da minha fragilidade. Vou falar que é sujo. Terra é sujeira… Terra é vida! Nós todos viemos da terra. E do mar, que faz parte da terra. Precisa da água, sem a água, nada nasce, nada cresce…
Quando sentimos falta, é porque nós não estamos conectados com essa natureza onde nada falta. Falta é o que? Falta é medo. Medo de que não vai ter para mim. E por que não tem para mim? É porque eu sou errado! Mas tem para todos. Para todos, igual. O que significa “para todos, igual”? Que vamos dividir para cada um o mesmo valor? Uma mão de milho para cada um? Mil reais para cada um? Depende da necessidade de cada um. O que eu estou precisando? Para uma pessoa empreendedora, mil reais é pouco. Ela precisa de mais, vai fazer mais com isso. Um monge… precisa menos. Ele não sabe o que fazer com os mil reais. Um líder espiritual… pode precisar de mais, porque vai criar templos, seja lá o que for.
Cada um tem a sua necessidade. Não tem igual, nesse sentido. Igual para cumprir a necessidade de cada um. Basta eu ter o que eu preciso. Mas a gente não se sacia. Quer mais, mais, porque vai faltar. E não confiamos que a flor vai cair na terra e brotar, que vai ser fertilizada, e que vai dar o fruto.
Nós nos achamos abandonados da providência divina, que eu chamo a força do universo que age. Eu chamo divino, mas não se incomode com a palavra. A energia que deixa tudo isso em andamento, tudo em ordem. Aí a gente olha e vê que hoje em dia não está mais em ordem, porque antes o verão era mais quente, o inverno mais frio, a temperatura não mudava assim, mas… a gente tem muito pouca experiência. Vemos lá atrás, onde hoje tem mata, antes tinha gelo. As coisas mudam. Nós queremos ter certeza, queremos nos assegurar, não tem como se assegurar. Só tem como andar com o movimento. Conectar o movimento externo com o movimento interno. Se nós fazemos isso, é um movimento só. E aí tudo vem, a caixinha se enche… (risos) ou não. E está certo também.
Theresa explica o valor sugerido para a Oficina, em forma de contribuição espontânea, e o quanto isso provoca internamente as crenças sobre o valor de algo e o quanto eu posso (e quero) dar…
Então, essa idéia da contribuição sugerida mínima… Tem que colocar um valor, se não a gente fica sem orientação!… Por enquanto tem um valor, quem sabe mais um pouco não precisa de valor nenhum. Nós estamos acostumados: tem um custo. Mas eu não posso dizer que valor tem isso. Eu coloco um valor para as constelações (terapia) que eu acho mais ou menos justo, para o resto, eu não sei. Qual é o valor disso? Qual é o ganho de cada um? Eu estou dando a oportunidade para cada um de vocês de perceber isso. Como seria se não tivesse valor nenhum? Ah… pode dar uma colaboração. Quanto eu daria? Se fosse mais, como seria? Como seria se tivesse uma pessoa recebendo de vocês a contribuição – quanto você vai dar, quanto você vai dar, quanto você vai dar? Ia diferir do valor que vocês estão dando agora? Se passássemos uma lista, colocando o nome e o valor, ia diferenciar o valor que você ia colocar? É só para vocês pensarem, sentirem. Quanto vale algo para mim? Que forma eu tenho para medir isso? E quanto eu tenho? Tem gente que não tem, e que contribui com muito. Isso está correto? Por que eu tenho que contribuir com muito? O que quero mostrar com isso? Tem todos os lados. Tem outros que não querem dar nada. E quem não quer dar nada, está certo: não dar nada. E… assumir. Um amigo meu foi numa palestra, onde era voluntária a contribuição. Ele disse: se eu gostar eu vou contribuir. Não sei se ele gostou (risos)… parece que gostou! Mas não contribuiu!
Mas quantas vezes a gente não faz isso? Porque algo não quer soltar! Não quer! Se tenho vinte reais a mais ou a menos, qual é a diferença? A gente acha que vai arrancar uma parte. E aí nós falamos estas coisas para nos enganar. Estou analisando… (risos). E quando eu dou, quando eu coloco algo livre, eu dou de coração? Ou eu dou porque preciso dar? Dou porque é certo? Isso é um exercício que eu coloco agora aqui dentro, mas isso vale em todos os momentos, porque a gente tem que pagar o tempo todo. O tempo todo tem que dar, às vezes dinheiro, às vezes tempo, às vezes atenção, às vezes ouvido paciente, às vezes um colo. Às vezes só um estar, um abrir a porta, receber, e despedir… Tchau! (Theresia se despede de uma participante).
Está tudo certo. Dar e receber. As coisas vêm e as coisas vão, e às vezes quero segurar. Como segurar a respiração? Quero tudo! (Theresa aspira longamente e prende). Aí não pode entrar mais. Enquanto eu não solto, não pode entrar mais. Respirando e expirando. Recebendo e dando. Receber a vida, dar a vida.
Meditação sobre o valor de uma colaboração espontânea
Então, vamos fazer agora o seguinte: fechar um pouco os olhos, perceber o valor que vocês colocaram, ou que vão colocar, não sei como é que é… e perceber o sentimento de cada um. Qual é o sentimento com que eu coloquei? E ser honesto. O que realmente eu queria fazer?
O que é o meu certo? Qual é a minha necessidade? Foi agradável? Foi desagradável? Dei de menos? Dei de mais? Dentro do meu perceber. Dei de coração, ou dei de obrigação? Simplesmente seja honesto, para a sua verdade.
E perceba o que tem atrás. Por que não posso ser verdadeiro comigo? Por que não posso ser honesto comigo? Porque a gente nunca mente para o outro, só mentimos para nós mesmos.
(Espaço longo de tempo….)
Deixa vir até vocês o valor correto. Cada um tem o valor correto. Deixe ver o que surge dentro de si. Que valor seria honesto? Onde está o meu limite? Até onde eu sou capaz de contribuir, e até onde não? Perceba o próprio limite, e aceite o próprio limite. Simplesmente aceite tudo o que aparece agora, neste momento. E deixe ser do jeito como é. Sem se julgar. Sem “tem que”, sem “deveria ser”, sem comparar. É só você com você. Olhando nos próprios olhos. Perceber o próprio fingimento, diante de si mesmo.
E diz, ok. Sou assim. E acolhe a si mesmo. Acolhe o lado bonito, verdadeiro, e acolhe o lado feio, desprezado… Acolha. Ele é o que mais precisa de você. E dá um lugar para esse lado. Deixe ele fazer parte. Do jeito como é. Sem querer mudar nada. Sem querer embelezar, enfeitar, mudar. Deixando a liberdade para que ele possa mudar quando ele quiser. Dá todo o tempo do mundo. Dá permissão. E perceba como é isso para esta parte rejeitada. E quem sabe ela pode mudar um pouco? Afinal, tudo muda o tempo todo…
E vibre, internamente, um… sim!
E agora se conecte com si, perceba o valor verdadeiro, e deposite. Internamente, na caixinha, energeticamente. A partir do coração. O que o coração realmente pode dar nesse momento. E permita que ele entregue, faça uma doação do coração.
A partir deste instrumento, você pode utilizar isso em inúmeras ocasiões. Você pode sentir o próprio valor, se conectando consigo, em vez de olhar para o mundo externo. Esse é um pequeno exercício.
Theresia Spyra conduz grupos de autoconhecimento, espiritualidade e cura, trabalhando principalmente com a constelação sistêmica. Mais informações, acesse http://www.nokomando.com.br
a Nokomando – soluções sistêmicas
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