autoconhecimento e constelação, Formação em constelação

A magia de constelar

Relato do treinamento adicional dos dias 5 e 6 de fevereiro de 2011

Turma de formação em constelação - extensivo 2009, sob supervisão da trainer Theresia Maria Spyra

Acabamos de passar por um final de semana intenso, de treinamento em constelação sistêmica. Alguns alunos, outros já formados, mas o especial é: todos amigos, eu diria até mais – irmãos! Como é bom estar junto a pessoas que se respeitam, se curtem, e realizam um trabalho profundo de autoconhecimento e cura. Gente com jeitos tão diferentes, e que subitamente se tornam iguais! Brincamos: somos masoquistas e sádicos. Trabalhamos e somos trabalhados. Nos reunimos, entramos em trabalhos de constelação onde até o fundo da alma é remexido, cavado, revirado… E saímos rindo e nos abraçando, com uma imensa sensação de “quero mais” e “quando será a próxima”…

Este é o trabalho dos nossos treinamentos adicionais em constelação sistêmica. Nos trabalhamos, e principalmente – e talvez, por causa disso, podemos exercitar o papel de facilitador das constelações. Cada vez com mais desenvoltura. Ser facilitador também provoca uma série de questionamentos e aprendizado interno. Theresia Spyra nos orienta a manter um estado de presença constante, enquanto estamos “conduzindo” o trabalho. É muito fácil confundir estado de presença com estado de ausência. Conduzi algumas constelações, e posso dizer o quanto a minha mente racional buscava interferir no processo. Daí eu era “obrigado” a me afastar internamente. Porém, o afastamento interno também me levava para longe do sistema que estava sendo constelado. Existe um ponto, se é que posso descrever assim, onde é possível eu sentir o movimento, sentir o que o sistema está requerendo, naquele instante, e um ponto onde esta percepção desaparece. Para cá deste ponto, não há conexão. Para além do ponto, eu sou “engolido” pelo sistema, e perco a possibilidade de observar e “estar presente”.

E o pior: este ponto é mutável. Às vezes é importante eu “colocar o pezinho” dentro de um sistema, perceber, deixar que as sensações me invadam, para que eu mesmo possa ter uma noção do que está sendo transmitido por determinado personagem, ou em determinado movimento da constelação. Porém, se eu ficar refém das sensações e emoções de determinado ponto do sistema, deixo de ser útil para o trabalho, como um todo. É como um jogo, onde sou desafiado, principalmente, na minha capacidade de resiliência. Perceber sofrimento, dores, emoções pesadas, catarses, prazer e desbloqueios emocionais,  sentir de verdade, mas sem perder o poder de proatividade, quer dizer, a capacidade de uma ação correta para aquele momento. E a ação correta se faz pela não-ação.

É aí que entra o trabalho interno. Vejo que nas partes emocionais onde ainda não estou “bem trabalhado”, perco um pouco a capacidade de ser proativo. Não totalmente, senão eu não estaria apto a ser facilitador de uma constelação. Já vi acontecer nos nossos cursos de formação a perda total do controle do facilitador, que não conseguia lidar com as próprias emoções diante do trabalho. Isso é normal, afinal, são alunos em formação. Vou dar um exemplo bem claro, de mim mesmo. Atendi um cliente, onde em determinado momento, ficou muito claro a arrogância e a falta de respeito de uma geração, diante da geração anterior. O filho se achava melhor que a mãe. O pai se achava melhor que a mãe. A mãe se achava melhor que suas raízes. Era uma repetição de padrão. Bem… eu também tenho minhas dificuldades diante da minha mãe, e do meu pai. Já fiz muitas constelações e outros trabalhos, a aceitação diante dos meus pais e do meu passado aumentou, mas mesmo assim aparecem alguns resquícios de arrogância. Conduzi a constelação de uma forma apropriada, creio eu. Vi diversos pontos onde poderia ter interferido de outra forma, mas foi tudo bem. No final, ao colocar o cliente, este dizia não ter entendido nada. Mas na entrevista, eu já o orientara a não tentar entender nada, nem a querer descobrir quem eram os personagens e simplesmente perceber as emoções e sensações que eram trazidas. A constelação havia sido bem profunda. Estes conflitos entre gerações demonstram energias intensas, e elas foram liberadas. Os personagens demonstravam isso. Então eu disse: ok, esta é sua mãe. Você se acha melhor que ela. Ahhh…. não entendo. Como ela é minha mãe?

Aí o meu cliente estava dizendo, na minha percepção: não aceito o que você está dizendo. Então me senti desafiado. Neste ponto, começo a deixar que as minhas próprias emoções interfiram no processo. Dentro de mim, algo dizia: encerre agora a constelação, não explique mais nada, e diga para ele ficar com isso que foi visto. Mas então a outra parte disse: faça ele ajoelhar. Diante da mãe. Assim fiz. Peça a ele pra agradecer pela vida que veio da mãe. E fazer uma reverência. E depois, fiz o encerramento e expliquei o processo em alguns pontos. Nada disso atrapalhou o trabalho. Acredito que era para ser assim mesmo. Mas o que estou dizendo é que é nítido que as nossas emoções interferem no trabalho, quando não sou capaz de observá-las e mantê-las de lado.

Coincidentemente, no nosso treinamento adicional, este que comentei ao início do texto, eu tinha uma questão. Trabalhar algumas dificuldades que surgiram em lidar com minha filha. O por que eu estar sentindo raiva e em certos momentos, até ódio de certas atitudes dela. Pedi para ser constelado. Nosso amigo Wilson se propôs a conduzir, o que fez de forma extremamente competente. Bem, em determinado ponto, o meu personagem disse: que saco, isso de novo! Pensei que isso já tinha se resolvido! É que surgira a minha mãe, indo atrás dele. O tempo todo. Minha mãe possui esta tendência, mesmo. O personagem da minha mãe disse uma frase que a minha progenitora sempre diz: você tem que me ensinar. Você tem que me ensinar como se faz! A minha mãe se coloca abaixo de mim, como uma filha. E eu, (que saco!), porque me acho realmente melhor que ela, e que sei mais, me coloco como alguém acima, que pode ensinar algo a ela. Quanta presunção! Sistemicamente, isso é uma distorção enorme. E agora, estava refletindo no meu relacionamento com minha filha.

Acho que fui claro quanto o trabalho interno auxilia e é necessário para ser um facilitador sistêmico resiliente e pró-ativo. Bem, ótimo! Trabalhamos. Foi um final de semana muito, muito, muito intenso. Pra variar, a cada encontro surge, magicamente, um tema principal a ser trabalhado, trazido pelas próprias questões dos participantes. Adivinhe qual foi o tema deste final de semana? Pais e filhos, relacionamento superior-inferior. E todos, corajosamente, se colocaram a disposição de revelar estes sentimentos distorcidos, esclarecê-los, acolhê-los no coração… Foi fantástico. Não é a toa que sinto que cada um dos que participaram do trabalho estão mais hábeis, mais confiantes e mais leves para conduzir constelações. Todos os trabalhos foram muito bem executados. E os que não foram facilitadores, nesta ocasião, demonstram também um amadurecimento emocional enorme!!! Agora deixo minha emoção tomar posse das palavras: estou com um baita orgulho de todos vocês! Vocês são a minha família do coração. Agradeço sinceramente este último encontro. Foi demais!

Alex

Facilitador sistêmico e diretor do Nokomando – desenvolvimento pessoal e espiritual

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Sobre alexpossato

Professor de constelação familiar sistêmica e terapeuta sistêmico

Discussão

Um comentário sobre “A magia de constelar

  1. Querido Alex, irmão desta jornada, expressar o quanto sou feliz por estar e fazer parte desta nossa “família” é fácil, porque somente existe uma palavra para essa emoção AMOR. Da forma mais intensa e transparente, incondicional, pois nenhum de nós precisa de condições para estar junto, precisamos apenas da energia e do desejo de alma e, isto todos nós temos!
    Agradeço a voce e a todos que estiveram neste último final de semana e que em breve possamos continuar a trocar tudo que somos em energia e força de trabalho.

    Voce está de parabéns pela condução do treinamento adicional, por se colocar à disposição do sistema para facilitar a condução de todos nós e pela troca de autoconhecimento.
    Um grande beijo
    Marlei

    Publicado por marlei ricco | fevereiro 9, 2011, 3:16 pm

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