Publicado por: alexpossato | Junho 2, 2009

Theresa Spyra e constelação familiar sistêmica

Relutei um pouco em escrever sobre a Theresa. Não é que ela não mereça, não seja uma grande terapeuta, ou coisa desse tipo. Na realidade, ela é minha esposa, e por isso, achei que talvez estivesse puxando a sardinha… sabe como é que é, né?

Mas seria incoerência da minha parte não falar da maior terapeuta que já vi trabalhando, e que, além de me ajudar profundamente em resolver todos os processos emocionais que me acompanharam a vida toda, tem recebido o carinho e admiração dos seus próprios clientes. Vou contar sua história.

Theresa é alemã, nascida em Kempten, Bavária, próximo aos Alpes alemães. Desde cedo, tinha a curiosa mania de sair com sua bolsinha de primeiros socorros, pronta a atender a primeira pessoa que estivesse necessitando de cuidados. Seu sonho? Ser missionária em algum país da África. Inclusive a sua mãe queria que ela fosse enfermeira. Mas Theresa precisava passar por outros tipos de experiência. Saiu de casa aos 18 anos, para enfrentar o mundo da cidade grande, Berlim, se formar em economia e análise de sistemas, e trabalhar como promissora executiva. Porém, algo dentro de si a impelia rumo ao desconhecido, à aventura, ao desafio. Deixando o emprego seguro e seu ótimo salário, partiu em viagem pela América Central, desde o México, descendo, país a pais, até a América do Sul. Este percurso foi realizado em oito meses. Foi aí que nos encontramos. Eu, vindo do Japão após três anos de trabalho, estava de férias no Peru e Bolívia. Ela, vinda do México, estava também no Peru – destino, a cidade inca de Machu Pichu. Nos conhecemos, e não nos soltamos mais.

Theresa veio morar no Brasil. E então, começou o seu contato com o mundo da “cura” e da terapia. Dona de uma percepção e intuição ativa, Theresa freqüentou centros espíritas kardecistas, e embora não tenha se identificado tanto com a formalidade e inflexibilidade da doutrina, entrou em contato com o conteúdo de sua mente inconsciente e as inúmeras percepções que tinha, definidas pelos espíritas como mediunidade. Theresa prefere não acreditar se é mediunidade, ou se é um simples acesso à mente inconsciente, dela, ou o inconsciente coletivo. Não importa para ela, a existência ou não dos espíritos – importa o trabalho e a cura com os vivos.

Nesse caminho, Theresa estudou e formou-se em Reiki máster, máster em programação neurolinguística – PNL, terapeuta de shiatsu, além de ser, durante um período, dirigente da Seicho-no-iê. Não abandonando o seu lado empreendedor, é também empresária, e aí começou a trabalhar com treinamento. Finalmente, os seus estudos e vontade a direcionaram à formação em constelação familiar sistêmica, segundo o método de Bert Hellinger, constelação estrutural, segundo Insa Sparrer e Matthias Von Kibed e hipnoterapia, de Milton Erickson, curso que a levou de volta à Europa, especificamente, Suíça.

Eu diria que a maior qualidade da Theresa, como terapeuta, é a sua capacidade de observar a essência do seu cliente. E direcioná-lo a encontrar, observar e tomar posse dessa essência. Theresa não enxerga o problema, não busca explicações para o problema, não coloca culpas ou erros nas costas do seu cliente. Embora ela possa ser bem dura, quando necessário, é também acolhedora, e deseja, sinceramente, que o cliente consiga ver a sua própria energia natural fluir, harmonizando, em primeiro lugar, o relacionamento consigo mesmo. A partir daí, os relacionamentos exteriores, o trabalho, a saúde, tudo o que pode apresentar distúrbios, harmonizam-se naturalmente.

Theresa Spyra, por Theresa Spyra:

Certo e errado 1

“Recuso-me falar de certo e errado. Isto só confunde. Não acredito em certo e errado. Tem resultados favoráveis e desfavoráveis para o momento no qual ocorrem, isto não significa que continuam sendo o que pareçam ser. O que parece desfavorável, num momento bem próximo pode se mostrar favorável.”

Gratidão

“Vivi quase toda minha vida em regalia, na Alemanha, e nunca tive a sensação de gratidão, tudo estava sempre ao alcance, e costumávamos reclamar quando algo faltava ou não era conforme a nossa vontade. Viver em abundância não tem nada a ver com gratidão, muito ao contrário. Hoje gratidão para mim é receber o que a vida está me oferecendo neste momento. Acordar um o barulho da chuva, o carinho da minha filha, em outro momento a insatisfação dela, sentir o calor do sol no meu corpo, jogar um jogo com a família, parar por um momento para me auto-observar e perceber que estou bem onde estou, satisfeita comigo, com a minha vida e com meu trabalho e com tudo que eu me coloquei a realizar. Posso ir com calma, sem correr, curtindo a paisagem e tudo que vier.”

Honestidade consigo mesmo

“Por tão pouco pagamos um preço tão caro, ao esconder de nós mesmos o que ocorreu, nós nos afastamos cada vez mais da nossa essência, e assim, do que estamos buscando.”

A missão

“A vida de formiga é uma festa só. Ela gosta da sua missão, sai cedo de casa, cheia de vontade e alegria com a perspectiva de encontrar folhas bem suculentas e gostosas. Corta-as com todo cuidado e perfeição, e um especial prazer é cortar um grande pedaço de folha, tão grande, mas que ainda dá para carregar: isto a deixa mais contente e alegre ainda. Depois começa o malabarismo divertido: às vezes a folha é pesada demais, e nas suas manobras perigosas vai embora o equilíbrio e a folha se perde. Se não tem como recuperar o tesouro precioso, não faz mal; a formiga volta para cortar mais uma folha. Algumas vezes até acha no caminho um pedaço de folha abandonado. Alguém parece ter perdido… e ela pega alegremente e recomeça a sua jornada. O peso deixa as pernas bambas, porém, isto a anima mais ainda. A superação é o seu jogo preferido, já que gosta de se divertir durante a tarefa diária. Nunca pensou em reclamar. Afinal de que? A vida é boa como ela é. Às vezes ela vê a cabeça de uma companheira, às vezes o bumbum redondo, mas ninguém tem tempo para parar e bater papo. A missão é o mais importante, não há dúvida. Como também não há dúvida de que essa formiga se acha a mais importante: ela somente percebe o seu próprio trabalho, e como vai saber o que os outros estão fazendo. E afinal, o que interessa?”

Certo e errado 2

“O mundo nos cobra o “certo”. Primeiro são os pais, os parentes, os professores e … logo, logo somos nós mesmos que cobraremos resultados melhores para nós (o certo), julgaremos todos os acontecimentos (certo ou errado)… para chegar onde?

E se eu fizer tudo certo, de acordo com os meus padrões, se eu me empenhar ao máximo, onde eu posso chegar? O que eu posso alcançar com isto? Felicidade? Reconhecimento? Satisfação? Equilíbrio? Segurança? Controle do futuro? Controle sobre os outros?”

Pais e filhos

“Nos dias de hoje presenciamos muito desequilíbrio nos relacionamentos familiares. Até parece que as coisas se inverteram. Quantos pais estão preocupados em serem aceitos pelos próprios filhos? Se sentem rejeitados pelos filhos, muitas vezes já desde a infância. Os pimpolhinhos não obedecem, parecem ser mais fortes e insistentes que os pais, tem as rédeas nas mãos, são eles que mandam nos pais. É muito doloroso para um pai e uma mãe não terem a a autoridade como pai ou mãe. Eles querem desesperadamente ser aceitos pelos filhos, por isto compram a atenção deles, com brinquedos, video-games, viagens, roupas, carros, etc. Mas o respeito não pode ser comprado. E quando os pais não respeitam os próprios pais, como eles podem esperar serem respeitados pelos próprios filhos? Eles não transmitiram este sentimento para eles. Nem em palavras, nem em ações.”

 

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