Ninguém se dá mal no relacionamento afetivo porque quer. Um casal não fica brigando porque gosta de brigar… pelo menos geralmente. Uma forte tendência social é colocar a culpa dos problemas da vida em… nós mesmos. Somos ensinados que nascemos vazios e inocentes, e o que ocorre na nossa vida é de responsabilidade nossa. Em parte é mesmo. Mas existe um detalhe que até agora não era visto: você sabia que herda dos seus familiares uma tendência de se identificar com emoções e situações vividas no seu passado familiar (que as vezes, você nem presenciou) e isto o induz a ter emoções, pensamentos e atitudes? Isso se chama “emaranhamento sistêmico”, e é trabalhado pela técnica da constelação familiar sistêmica.
No caso dos relacionamentos, esta identificação com emoções do passado faz com que tomemos atitudes que trazem problemas. E mais: a identificação com os emaranhamentos sistêmicos atrai pessoas com problemas semelhantes. Logo, a relação irá enfrentar turbulências, sem sombra de dúvida. Por outro lado, é bom entender que não são os problemas na relação que indicam se ela dará certo: é o quanto estamos dispostos a mudar, assumindo a nossa responsabilidade e deixando a responsabilidade do outro para ele que torna uma relação estável, forte e prazerosa. Para isso é importante se conhecer, perceber as próprias emoções, ser sincero com elas e mostrar isso ao outro. Emaranhamentos sistêmicos, para serem “desemaranhados”, necessitam, em primeiro lugar, serem vistos.
Se você tem problemas na sua relação afetiva, quer saber se você age impulsionado por emaranhamentos sistêmicos? Responda as afirmações abaixo com um “sim” ou “não”. Todas as respostas “sim” podem indicar emaranhamentos. Analise as respostas “sim”, medite a respeito, acolha estas afirmações, sem culpa ou julgamento. Quanto mais você conseguir se desapegar naturalmente dos “sim”, menos estará identificado com emaranhamentos, e mais próximo de criar relacionamentos construtivos estará. Em alguns casos, pode ser indicada a terapia da constelação familiar sistêmica e o acompanhamento de um profissional sistêmico qualificado.
Leia as afirmações abaixo, e mesmo que não tenha acontecido o fato para você, perceba qual seria a sua resposta. Responda simplesmente com um sim ou não. Todos os “sim” podem indicar emaranhamentos sistêmicos.
1 – Você ainda se lembra de um primeiro amor na sua vida com saudades
2 – Num primeiro relacionamento, a separação ocorreu de forma tumultuada, com feridas para ambos os lados
3 – Você faz mais pelo parceiro(a) do que recebe dele(a)
4 – Você sente medo intenso de ser abandonado e ficar só
5 – Você se esforça para ser como o seu parceiro(a) deseja que você seja
6 – Quando você está numa relação, tem a tendência de sufocar o outro
7 – Você exige que o outro mude seu jeito, quer reeducá-lo, para que fique melhor
8 – Você sente que não é visto pelo parceiro(a) na relação
9 – Você não consegue entender o parceiro(a) e ver como ele(a) é
10 – Você não aceita o primeiro relacionamento do parceiro(a) como tendo sido importante a ele
11 – Você vê a relação com os seus próprios pais mais importantes que o próprio relacionamento
12 –Olha para a família do parceiro e tem dificuldade em aceitá-la
13 – Se seu parceiro(a) tem filhos, você se coloca como um pai ou mãe, tirando a importância do pai ou mãe biológica. Poderia até ter raiva do pai ou mãe do filho do seu parceiro.
14 – Você tem sentimento de mágoa e rejeição dos próprios pais
15 – Você tem a tendência de refazer o casamento dos seus pais de maneira melhor
16 – Você esconde do seu parceiro(a) o fato de ter feito (mulher) ou incentivado (homem) abortos ou esconde (ou não discute) outras situações emocionalmente difíceis, como a vontade de não ter filhos, por exemplo
17 – Você vê em si padrões de relacionamento com problemas repetidos
18 – Você se vê muito parecido com o pai, mãe, avós ou até tios, na forma de agir nos relacionamentos
19 – Você acredita que o outro(a) o fará feliz
20 – Você vê um relacionamento dos seus pais de forma boa, e faz de tudo para que a sua relação seja igual à deles
21 – Você costuma ser possessivo(a) e ciumento(a) quando está apaixonado(a) e cobra fidelidade do dele(a)
22 – Se existe filhos na relação, você os vê como mais importantes do que a própria relação afetiva com o parceiro(a)
23 – Quando um relacionamento termina, você se sente como se a vida tivesse acabado e talvez até tenha pensado em morrer
Caso você queira esclarecimento sobre “emaranhamentos sistêmicos”, deixe o seu comentário ou pergunta, e nós teremos prazer em responder sua dúvida.
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gostaria de saber o que é emaranhamento sistemico?
Por: fernanda mendes em Junho 20, 2009
às 2:35 pm
Olá, Fernanda! Emaranhamento são emoções e fatos recorrentos vindos dos nossos antepassados e que se demonstram no presente. Por exemplo, alguém se sente não-pertencente à sua família, tem depressão, sente-se não cuidado, e no trabalho de constelação, percebe-se que um membro da família, no passado, foi excluído, por alguma razão. Esta exclusão permanece, no sistema familiar, mesmo após a morte da pessoa excluída, e se manifesta em algum descendente. Isto é um emaranhamento. Naturalmente o sistema familiar busca se ajustar, e este emaranhamento, quer dizer, esta rejeição que o descendente sente hoje é a oportunidade de ajustar tanto o seu problema (quer dizer, resolver o problema de sentir-se rejeitado) como também ajustar o sistema familiar. Equilibrando-se o sistema, deixa de existir o emaranhamento. Resolvido o emaranhamento, muitas relações entre familiares tem a tendência de entrar em harmonia, porque todo o sistema foi trabalhado.
Abraços.
Por: alexpossato em Junho 20, 2009
às 4:27 pm
Olá, Fernanda! Emaranhamento sistêmico são situações envolvendo antepassados onde ocorreu exclusão (abortos, pessoas com deficiências, envolvimento com drogas, que cometeram crimes ou atos considerados imperdoáveis, assassinatos, imigração, fatos escondidos, etc.) e esta situação traz consigo uma carga emocional pesada, que é transmitida de geração em geração. Algum descendente se identifica com isso, e possui a tendência inconsciente de buscar ajustar a situação, tomando atitudes emocionais e comportamentos que acabam sendo prejudiciais a si mesmo.
Por: alexpossato em Julho 10, 2009
às 1:38 pm
Olá Alex…
Li artigo seu no stum em que continha um questionário sobre emaranhamentos sistêmicos nos relacionamentos com 23 questões em que todos os “sim” … enfim, você sabe.
Tenho um problema de relacionamento bastante complexo e respondendo ao questionamento respondi Sim a apenas tres questões, sin ceramente.
Neste caso, o meu problema, então, não seria o caso de ser trabalhado como emaranhamento sistêmico?
Interessante é que, no dia em que li este artigo, havia há poucos minutos conversado por telefone com uma psicóloga de minha cidade ( três rios / rj) sobre isso, se constelações familiares poderia resolver todo tipo de problema.
Pelo que entendi, analisando pela visão do questionário, não são todos os casos de problemas ( sejam eles quais forem ou alguns específicos ) que podem ser resolvidos pela constelação familiar.
Gostaria que me esclarecesse seu ponto de vista. Não creio que esta terapia possa me ajudar nesse caso específico.
Muito obrigada. Crhys!!!
Leio seus artigos quando aparecem no stum que é minha leitura diária, matinal, obrigatória.
Por: maria cristina leite de oliveira em Julho 9, 2009
às 6:29 pm
Oi, Maria Cristina! O teste serve mais como um guia que mostra algumas situações típicas envolvendo um relacionamento, onde existe a codependência e o emaranhamento sistêmico. Deixei exemplos ilustrativos.
A constelação sistêmica, porém, vai mais longe. É uma técnica que demonstra que muitas das emoções que temos na nossa vida são originadas em situações passadas, as vezes em gerações que nem tivemos contato. Nascemos com padrões emocionais que nos levam a ter determinadas atitudes, pensamentos, emoções… Por exemplo, sentimos enorme culpa, e nunca fizemos nada para que, conscientemente, devêssemos sentir culpa.
Isso mostra que carregamos uma emoção de culpa que não é nossa.
Este e outros tipos de emoções influenciam enormemente o jeito de agirmos na vida, incluindo nas relações. Significa que existem emaranhamentos sistêmicos.
De qualquer forma, a constelação é um método que age totalmente na mente inconsciente, em arquivos que não conhecemos, porém, quando participamos da dinâmica, eles se mostram em toda a sua força. E isso alivia, as vezes, cura os sintomas. Assim, acredito que seria interessante você presenciar um trabalho em grupo, e então perceber, internamente, em suas emoções, se a técnica seria útil no seu caso. Boa sorte!
Por: alexpossato em Julho 10, 2009
às 1:45 pm
Boa Noite
Gostei imenso deste site porque encontrei coisas espantosas, tenho uma filha de 8 anos que tem diabetes desde os 3 anos e meio, 6 meses depois de meu marido me ter largado eu e minha mae sempre achamos esse factor um dos meios dela desencadiar essa doença mas parecia de loucos ninguém tem coragem sequer de dar esse comentário.
Outra coisa fiz um mapa natal para ela porque sua ansiedade é um factor super visivel e no mapa diz que ela leva qualquer problema muito a sério e que tem problemas pssicossomaticos. Pois hoje pela primeira vez depois de 4 anos alguém me diz realmente o que se passou com ela lendo o vosso site.
Por favor vivo em Angola, como posso obter ajuda.
Agradecida
Helena
Por: Helena Ferreira em Agosto 23, 2009
às 1:06 am