Publicado por: alexpossato | Abril 6, 2009

Reconhecer aquilo que sente – soluções para crises de relacionamento

Por que acontece de encontrarmos alguém, seja numa relação heterossexual, seja numa relação homossexual, com quem criamos afinidade a ponto de estabelecermos um vínculo afetivo? Qual a magia que faz pessoas diferentes se encontrarem em situações inusitadas ou corriqueiras, e se apaixonarem?

A sensação de completude é a resposta. Atraímos alguém que, inconscientemente, julgamos que irá preencher nossas necessidades emocionais – e simultaneamente, o outro é atraído por mim por acreditar na mesma coisa. Somos levados a conhecer alguém que irá deixar bem claro as nossas necessidades, e vive-e-versa. E isso pode ser muito bom, afinal, é a oportunidade de nos conhecermos melhor e curarmos nossas necessidades emocionais… ou pode ser muito ruim, a medida que me recuso a ver as coisas que me fazem falta…

E do que sentimos falta? Ah…, isso é uma outra questão!

Sentimos falta de dinheiro e segurança, de força e coragem, de carinho e carícia, de palavras e compreensão. Sentimos falta do papai e da mamãe, quer dizer, daquilo que gostaríamos que eles fossem… e não foram… Quase todos nós carregamos o sentimento de que os pais não foram o suficientemente caridosos, presentes, companheiros, amistosos, compreensivos… E isso é uma realidade dura de se admitir, porque socialmente, criou-se a idéia do “endeusamento” do papel dos pais. Por outro lado, desde Freud, a psicologia escolheu os pais, mas principalmente o papel da mãe, como culpa para todos os males da humanidade.

Nem endeusamento e nem culpa. A constelação familiar sistêmica demonstra que os pais não estiveram mais presentes na educação dos filhos porque herdam, dos pais deles, e assim sucessivamente, questões emocionais que desviam o olhar, a atenção para dores e problemas. Não fazem melhor porque não sabem e não conseguem.

E o que acontece conosco, aqui e agora? Temos a tendência de repetir os mesmos problemas dos nossos pais. Algumas pessoas conscientes disso, negam a forma de relacionamento dos pais e querem fazer algo completamente diferente. Mas… não conseguem… E negar os pais não funciona, porque ao negar os pais, negamos a nós mesmos, afinal, somos parte deles. Filhinhos de peixe…

 

E então, encontramos o príncipe ou princesa. Tudo vai bem no começo, afinal, o sexo é instintivo e prazeroso, e não tem exigências além do prazer. Porém, relacionamentos que se estabelecem além do sexo, exigem. Lembram-se do que falei no começo? Queremos que o outro nos preencha aquilo que sentimos falta. Se sinto falta de segurança, quero que o outro me dê segurança. Se sinto falta de carinho, quero que o outro seja carinhoso. Falta de grana? Que o outro me dê grana ou condições de adquirir o meu patrimônio…

É necessário tirar esta idéia de “amor hollywoodiano” da cabeça. Isso não existe. Amor de novela só existe em novela. Qualquer pessoa que já ultrapassou um par de anos vivendo junto com uma outra pessoa, sabe que o amor existe além desta sensação de necessidade. Na realidade, esta sensação de necessidade provoca apenas desgaste na relação. Tanto um parceiro como o outro sente-se cobrado em dar segurança, carinho, palavras, conforto, amizade… afinal, o outro também procura o mesmo em nós… Uma relação assim se desgasta, a não ser que ambos os lados se acomodem e aceitem viver uma vida medíocre e infeliz.

 

A solução

 

A solução é reconhecer aquilo que sinto falta, e buscar por mim mesmo preencher. É assumir minhas necessidades plenamente e não delegar a ninguém a resolução dos meus problemas. Um parceiro não é responsável pelas minhas necessidades. E nem eu sou responsável pela necessidade do outro. E mesmo que fosse, é impossível dar soluções emocionais a quem quer que seja. Cada um deve procurar por si mesmo. E descobrir que já possui em si todas as soluções.

Um não pode e não deve exigir do outro determinados comportamentos: você tem que me ouvir! Você devia ser mais carinhoso! Vá trabalhar, cabeça de bagre! Seja mais responsável, mulher! Tudo isso, no fundo, são cobranças internas, que despejamos no outro… São coisas que sinto falta, e gostaria que o outro suprisse. Mas o outro também sente falta de coisas parecidas, e quer que eu forneça para ele.

A crise começa na exigência mútua. A solução começa no reconhecimento das próprias necessidades. A perceber que os dois tem necessidades semelhantes, estabelece-se um novo vínculo. Percebe-se que a falta que vemos no outro não é proposital, mas também gerada por uma carência. E o outro vê que também nós não o completamos por estarmos presos a necessidades particulares. E assim, algo novo pode surgir desta compreensão. Se assim o permitirmos.

 

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Respostas

  1. Adorei, este site estou vivendo uma crise conjugal a 7 meses de casada. Não sei se havera reconciliação ou término, estou no momento de reflexão, quero tirar uma dúvida. Quando a parceira vai para um barzinho e segundo ela é beijada a força por uma ex, significa traição?

    • Oi, Cris! Obrigado pelo elogio. Quanto à pergunta, a questão da traição é decorrência de uma busca de “algo” que não está existindo na relação. Busca-se carinho, compreensão, afeto, cumplicidade. Um encontro casual não constitui traição, no meu ponto de vista. Porém, é importante entender o que você busca emocionalmente numa relação. Ser aceita? Ser amada? Ser vista? Ser acolhida? Força? E perceber se está sendo suprido ou não. E conversar isso abertamente, sem exigências. Ao entender a si, você entende o que a parceira também deseja… porque ela também busca coisas emocionais que não estão sendo supridas. Aí é possível haver diálogo.
      Abraços!

  2. Muito Obrigada; nós nos reconciliamos, estamos tendando nos entender, pois, apesar do pouco tempo, temos uma casa, temos sonhos, um projeto, uma estrutura de vida se formando para que tudo dê certo… Através dela estou perdendo o medo de ser gay, e de conviver numa sociedade ainda muito preconceituosa. Quero apenas ser feliz, houve um tempo que eu achava que vida a “dóis felizes”, não era feita para os gays, hoje a minha idéia é outra. Obrigado mesmo, te adorei.

  3. oi. Descobri o site hoje e decidi postar um comentario porque pela primeira vez me dei conta que na verdade talvez eu seja a causa dos problemas da mnha relaço e nao meu namorado. tem um no e meio que estamos juntos, mas de uma forma especial. Somos os dois estudantes e moramos na mesma residencia, nossos quartos sao vizinhos um do outro, de forma que desde o inicio, o relacionamento foi muito intenso. Nos passamos todo o nosso tempo junto, e talvez por isso tivemos varias discussoes. Mas recentemente uma dessas discussoes virou uma verdadeira crise e ele me disse que percebeu que nao quer casar comigo. Eu nunca esperei casamento, nunca esperei nada mai que um namoro, com pequenos planos mas sem avançar muito no futuro. Para ele eh diferente,. Amar quer dizer casar . Desde desse dia ele se afastou completamente, ele passou a evitar de passar tempo comigo. A cada vez que eu o procurava e dizia que queria estar sozinho. E isso me fez sofrer muito. Eu tenho uma necessidadde imensa de carinho, de atençao. ELe nunca gostou muito de beijos e abraços, mas sempre fez um esforço por mim. E eu sempre o acusava de me deixar em segundo plano, de nao me faze atençao. Eu me sentia quase sempre rejeitada, e isso me feria. Ele é meu primeiro namorado, minha primeira vez, e uma serie de outros tabus. Hj a ada vez que eu o procuro ele me responde que eu nao deveria esperar tanto desse relacionamento, e isso faz com eu insista, com que eu tenha um cmportamento quase obssessivo, e lavo suas vasilhas seu quarto, querendo um pouco de atençao. mas issso so nos distancia mais e mais. EU nao consigo mecomunicar com ele. sempre acabo chorando, brigando, acabo me sentindo mais so do qu no começo. Acabei por afastar meus amigos ao mesmo tempoi que ele começa a refazer sua amizades. Ele chegou a terminar cmg mas voltou atras e disse que sentia a minha falta, ele nao disse eu te amo. EU nao sei o que esperr , as vezes quero sair correndo, e as vezes quero saber como me reencontrar pra poder nos dar uma segunda chance, porque a verdade eh que eu o amo imensamente.

    Antes de sair comigo ele teve uma namorada , sua primeira namorada , que o trocou por seu melhor amigo, depois disso ele chegou a dizer que iria passar toda a sua vida sozinho. Eu nao sei se le chegou verdadeiramente a superar essa decepçao e nao sei tamabem como lhe ajudr a faze-lo.
    Obrigado por qualquer ajuda. Eu ando me sentindo sozinha, sem rumo
    MARIANA


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