A prática da constelação familiar sistêmica, bem como suas outras vertentes, como a constelação empresarial e profissional, vem sendo disseminada na Europa e no Brasil, principalmente, com uma velocidade incrível. Por ser aparentemente uma técnica simples, vemos pessoas com pouca prática e as vezes nenhum treinamento específico, desenvolvendo a prática da constelação. Até aí, nada errado, afinal, cada um deve saber o que faz, e acredito que as pessoas que procuram grupos de trabalho especializados em constelação são responsáveis o suficiente para saber com qual terapeuta ou facilitador deseja ser tratado.
A grosso modo, a constelação não possui contra-indicações, e por ser uma técnica absolutamente vivencial, dita fenomenológica, onde o cliente sente e se emociona sem ser induzido racionalmente pelo terapeuta, tudo o que ocorre com ele é fruto das suas próprias vivências interiores. Isso quer dizer que ele não sairá de uma constelação com problemas e soluções que já não estavam latentes em si mesmo.
Isso, é claro, se ocorrer o que foi dito acima: não ser induzido racionalmente pelo terapeuta.
Para quem não conhece o processo da constelação, deixo aqui uma explicação rápida: da mesma forma que suas características físicas foram formadas pela herança genética que você recebeu dos antepassados, suas características emocionais e impulsos, em grande parte, também o são. Isso quer dizer: antes de você ter formado a sua mente racional, acreditar nas coisas que acredita hoje em dia, acumular conhecimentos e experiências, vivenciar momentos bons e outros ruins, já herdou de seus antepassados impulsos que influenciam suas emoções. Esses impulsos, que podem ser agradáveis ou não, chamamos de sistema familiar. O sistema é anterior à formação da mente humana. Isso quer dizer que não adianta tentar influenciar a mente através de idéias e induções racionais, porque o sistema não responde a estas influências. O trabalho é mais profundo, e a “matéria-prima” para a cura está contida nas emoções acessadas pela mente inconsciente. Estas emoções são profundas, e ao contrário dos pensamentos, que podem ser controlados e reprimidos, ao aflorarem, as emoções sistêmicas saem como jatos de água sob pressão, deixando um profundo alívio ao cliente.
Cabe ao terapeuta estar consciente das próprias barreiras, para não impedir o processo sistêmico. Alguém que se recusa a ver ou experienciar as próprias emoções, tentará, mesmo que inconscientemente, impedir que o cliente chegue neste caminho.
Pois é justamente na não-interferência que está a solução ou destravamento dos bloqueios sistêmicos. O que causa emaranhamentos sistêmicos é a não aceitação de situações envolvendo exclusões, como quando existem traições, abortos, assassinatos, mortes súbitas, doenças degenerativas, adoções, separações, etc. Quem pode não aceitar estes fatos? É exatamente a mente racional, apoiada nos conceitos sociais que aprendeu, no certo e errado, no pecado e na virtude… Se eu acho que abandonar uma criança é um fato desprezível, quando olho que isso aconteceu no meu sistema familiar, acharei desprezível o meu sistema familiar também. Quando eu vejo a traição como abominável, estarei identificado com a dor que houve em traições do meu passado familiar. Mas estas dores só podem ser aliviadas quando deixamos de condenar, de ver o errado e se achar certo, de julgar o passado… Ao não aceitar um fato que não pode ser mudado, esta emoção impregna o sistema familiar e é transmitido às gerações posteriores, provocando a mesma emoção de rejeição e desprezo. Entender a exclusão não leva a nada, porque o entendimento é racional, mas a origem é emocional. A única forma de solucionar ou aliviar um entravamento sistêmico é a vivência emocional acompanhada de um completo não-julgamento. Quem deve fornecer essa possibilidade do “não-julgar” ao cliente é o terapeuta, afinal, ele é o responsável para que o processo tenha um bom término.
Constelação familiar sistêmica com a alemã Theresa Spyra. Clique aqui e inscreva-se!

