Atendi um senhor. Ele estava muito preocupado com o seu filho único, adotivo, porque o rapaz é viciado em drogas. É um bom moço, ele diz, mas o problema é que, de tempos em tempos, ele dá uma sumida, e quando volta, está naquele estado!
Eu até poderia dar umas porradas nele! Disse-me o senhor, de forma nenhuma aparentando que ele realmente queria fazer isso. Mas, não ia adiantar nada… completou.
- É verdade! Seu filho não se vicia porque é sem vergonha, ou não presta. Nem é pelas más companhias, como você diz. Todo mundo que bebe, fuma, cheira, faz sexo desenfreado, pula o muro, está na verdade buscando preencher um vazio emocional profundo. Quando tocarmos neste vazio, e ele “tomar posse” deste vazio, a tendência é não se drogar mais.
- É verdade! Eu queria saber porque ele faz isso. Tem tudo, o menino! Boa educação, carro, capacidade, uma família que está com ele…
- Pois é… mas é um erro pensar que a gente faz alguma coisa, como entrar num vício, porque existe deficiência na educação, falta de conforto, falta de apoio… Todas as pessoas tem vários sentimentos interiores. Gosta de uns, não gosta de outros. É mais agressivo, ou mais pacífico. Vai à luta, ou espera as coisas acontecerem. Tem paciência, ou é extremamente agitado. Tudo isso é natural, e não existe o certo ou errado. Cada um é cada um. Mas sabe o que leva alguém a ter uma determinada personalidade, por exemplo, mais apegada à agressividade?
- Não.
- É herança. Provavelmente genética, embora a ciência ainda não comprove. Chamamos isso de sistema familiar. Basta ver que os bebês já apresentam características, como calma ou agitação, logo nos primeiros dias de vida. E esta característica persiste por toda a vida.
- Não é o ambiente que forma a personalidade?
- Os impulsos mais profundos já nascem com o bebê. Todo o resto é colocado por cima dos impulsos básicos. Daí, os teóricos inventam um monte de teorias que não podem ser provadas e, o que é pior, não resolvem nada. Dizem que é culpa da mãe, do pai, do complexo disso ou aquilo…
- Mas e meu filho? Por que ele se droga? Como fazer ele parar de se drogar?
- O que seu filho quer, exatamente?
- Não sei…
- Pois é. O seu filho sabe, inconscientemente, que a droga poderá matá-lo, e ele assume esse risco. Qualquer ser humano que assume um risco de morrer, está indo contra o instinto mais básico, que é a sobrevivência. Uma pessoa que permite morrer, tem que ter um valor, uma apego a algo maior que a própria vida! Dá pra entender que esse vazio emocional dele é mais forte que o instinto de viver?
- Sim.
- Esse instinto, que é mais forte que a própria vontade de viver, nunca poderia ter sido causado por fatores externos, como uma má educação, um abandono, um maltrato na infância. Como eu disse, as emoções básicas já nascem com o ser humano. E são elas que determinam os acontecimentos exteriores, e não os acontecimentos exteriores determinam as emoções.
- Como assim?
- Já temos dentro de nós as tendências para alguns impulsos, para um tipo de personalidade, para a propensão ao uso de drogas ou outros vícios. Isso a ciência já admite. Este instinto de viciado, ao ser colocado frente a frente com a droga, pode disparar a qualquer momento.
- Então eu estou certo! O ambiente faz a pessoa se viciar…
- Se a pessoa não tiver a propensão, não. Quantas pessoas já pegaram, conviveram com drogados, até experimentaram, e nunca se viciaram?
- É verdade. E como resolver?
- É necessário que seu filho esteja disposto a aceitar esse vazio interior. Podemos resolver com um trabalho de constelação sistêmica, onde ele sentirá em si mesmo o que significa esse “tal vazio”, que o leva a consumir drogas, mesmo gostando muito de você e da sua família. Na constelação, estas emoções ficarão à tona, e poderão ser entendidas, aceitas, e automaticamente, elas deixam de fazer peso…
- A pessoa fica curada?
- Depende. Mas o vazio emocional dói menos, e com isso a vontade de preencher o vazio com drogas fica cada vez menor.
Entender suas emoções. Aceitar suas dores interiores e olhar para elas, sem medo, sem culpa, sem raiva. Elas estão aí por um motivo. Ignorá-las só aumenta a força e o incômodo. Observá-las, e deixá-las ir, alivia e cura. Nem é preciso entender isso. Basta, simplesmente, permitir.
Siddho Theresa Spyra é consultora e facilitadora de Constelação Familiar Sistêmica e Constelação Estrutural Sistêmica
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Olá,de que maneira somos ajudados qdo servimos p/ ajudar no campo de outra pessoa?o que acontece?já fui ajudar, muito mal,deprimida, e fiquei muito bem depois.
Constelei eu na minha familia,e fiquei no outro dia muito sonolenta,cansada,naõ fiquei bem,só me equilibrei á noite.
gotaria muito de entender.
obrigado. vanda de maria
14/03/2009
Por: vanda de maria em Março 14, 2009
às 10:26 pm
Olá, Vanda! Obrigado pela pergunta. Realmente, é muito comum que a participação em constelação de outra pessoa provoque uma mudança quase imediata no estado pessoal. Tenho notado que sempre, quando uma pessoa é escolhida para participar de uma constelação, algo inconsciente dela e do próprio sistema é trabalhado. Assim, ela acaba recebendo os benefícios de perceber coisas em si, emoções, e desbloquear-se ligeiramente.
Quando é trabalhada a própria questão, aí é um pouco diferente. Você já está disposta a colocar uma questão pessoal e a mudar. Está pronta para dar um passo em direção à cura e à modificação. É um ato de coragem, que envolve o trabalho pessoal em algo que a está incomodando. Por isso, o processo é mais intenso, já que a questão que a incomoda também tem a ver com você e o sistema familiar. A dissolução dos emaranhamentos sistêmicos se inicia a partir da constelação e pode ser mais lento ou mais rápido…
Assim, o que posso dizer é que, quando participamos na constelação “de outros”, trabalhamos “de leve” algo pessoal que nem está consciente. Quando colocamos a nossa questão pessoal, trabalhamos “mais fundo” algo que já sabemos que incomoda, e nos colocamos a disposição de perceber o sistema familiar envolvido e “mudar” aquilo que incomoda. É um trabalho mais intenso mas que terá um efeito mais efetivo e duradouro.
Abraços!
Por: alexpossato em Março 16, 2009
às 6:19 pm