Posted by: theresa | Fevereiro 25, 2008

Crianças que faleceram precocemente

“O destino de uma criança que morre cedo dá medo aos vivos. Talvez porque sintam que outros querem segui-la. Então, coloca-se de lado essa criança. Entretanto, a criança precisa ter um lugar na família, como se ainda estivesse viva. Isto é, pensa-se na criança, por exemplo, colocando-se uma fotografia dela em casa. Assim os vivos incluem a criança morta em suas vidas.

Muitos têm a idéia de que os mortos desaparecem. Mas para onde é que devem ir? De certo modo, estão ausentes. Mesmo assim, permanecem presentes. Na lembrança precisam ter um lugar na família e então os mortos, ao invés de causarem medo, atuam benevolamente. Incentivam a vida ao invés de tirá-la dos outros como alguns pensam.

Contudo, a criança falecida precocemente deve poder partir depois de um certo tempo. Quanto mais ela é respeitada, tanto mais fácil pode-se fazê-lo. Quando os vivos a acolheram em seu meio,  podem deixá-la partir para que o passado possa ser passado. Sem essa lembrança, os mortos se apegam algumas vezes aos vivos e pesam sobre eles como se tivessem ainda uma reivindicação perante eles, que deve ser preenchida antes que possam partir.”

Bert Hellinger, A fonte não precisa perguntar pelo caminho, Ed. Atman, 2005

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